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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

“A Pele da Cachoeira” de Andréia Kris

dezembro 12, 2025 | por Resumo Fotográfico


O ensaio “A Pele da Cachoeira”, da fotógrafa porto-alegrense Andréia Kris, é uma obra que transcende a representação do nu artístico. Realizado em 2003, no Rio de Janeiro, o trabalho em preto e branco estabelece um diálogo íntimo entre o corpo humano e a natureza.
“Entre pedra e água, o corpo reencontra sua origem.
A pele torna-se extensão da rocha, a respiração se mistura ao som líquido que corre.
Não há fronteira entre humano e natureza — apenas o gesto ancestral de pertencer.
A luz desenha silêncios, revela texturas, cria passagens entre sombra e claridade.
Cada gota reflete o instante em que o corpo deixa de ser forma para ser fluxo.
Neste encontro, o nu não é exposição, é essência.
É a paisagem lembrando que tudo o que vive tem superfície, pulsação e entrega.”












Sobre a fotógrafa

Formada em Pedagogia pela UFRGS/RS e integrante do Fotoclube Porto-alegrense, Andréia Kris começou a fotografar em 2003, e grande parte do seu acervo inicial foi registrado em filme preto e branco. Após um longo período afastada, retornou à fotografia em 2022.
“Em cada imagem, busco expressar um fragmento da minha forma de ver o mundo. Por trás das lentes, procuro captar não apenas a cena, mas as sensações que dela emergem — os pensamentos e emoções que cada momento desperta em mim.”
Para conhecer mais sobre o trabalho de Andréia, acesse seu Instagram.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

“Vida Que Segue” de Maneco Magnesio

abril 04, 2024 | por Resumo Fotográfico

Em “Vida Que Segue” o fotógrafo Maneco Magnesio, manauense radicado em São Paulo, registra o cotidiano nas ruas do Brasil e do mundo após a pandemia de covid, entre 2020 e 22.
A COVID parou o mundo, a gente fala, sem pensar muito. Mas o mundo não parou. Para cada trabalhador que deixou o escritório e passou a fazer home office, centenas continuaram saindo às ruas para ganhar o sustento, para ajudar parentes, amigos e desconhecidos, para respirar, para não pirar. A vida seguiu. A vida segue.

Mesmo quando tudo parou, a vida continuou, o ser humano deixou o conforto do lar (ou seguiu sem um). Correndo risco de vida, sem entender completamente o que estava acontecendo. Quem, dessas pessoas que Maneco viu passar, ainda está sobre a Terra? Quais sobreviveram à pandemia, quais vivem somente em fotografias e memórias? É vida que segue. Segue na ausência, segue na presença.

Nesta coleção de fotografias de rua, Maneco documenta humanos em meio a um evento global. Um planeta unido pelo medo e pela confusão. Em cada máscara e em cada conversa distante, e no cansaço de cada olhar. Seja em São Paulo ou Salvador, ele joga sua luz única sobre um dia-a-dia que toma ares surreais, pautado por protocolos de segurança, e torna lírica a realidade de quem saiu às ruas durante esse momento que persiste. É vida que segue.





















Sobre o fotógrafo

Maneco Magnesio Guimarães, nascido em Manaus em 1974, reside e trabalha em São Paulo (SP) desde 2003. É fotógrafo, curador e professor. Arte-educador de formação (UFBA), desenvolve trabalho autoral em fotografia de rua e urbana desde 2018. Atua coordenando oficinas de fotografia, mentoria para fotógrafos iniciantes e cursos livres de fotografia. Seus projetos fotográficos buscam a poética das ruas e seus personagens como foco principal. Pratica diariamente a Fotografia de Rua. Já fotografou as ruas de São Paulo (SP), Salvador (BA), Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Dublin, (Irlanda), Lisboa (Portugal), entre outras.

Participou de mostras individuais em São Paulo. Entre 2022 e 2023 fez quatro montagens de sua mostra individual “Vida Que Segue” em três cidades no estado de São Paulo. Foi pré-selecionado no festival Paraty em Foco nos anos de 2019, 2020 e 2023. Recebeu Medalha e Bronze e Menções Honrosas no Paris Street Photography Awards - PISPA nos anos de 2019, 2020, 2022 e 2023.

Para conhecer mais sobre seu trabalho, acesse: www.fotos.magnesio.com.br

terça-feira, 2 de abril de 2024

“Marginados” de Mateus Morbeck

abril 02, 2024 | por Resumo Fotográfico

Em “Marginados”, o artista baiano Mateus Morbeck utiliza o recurso da inteligência artificial para produzir imagens que simulam os retratos de pessoas que foram exiladas durante o período de regime militar no Brasil.
Mergulhados em territórios de perdas e saudades, os brasileiros dissidentes sempre estiveram sob a mira e vigilância da ditadura.

As descrições físicas de banidos e exilados, contidas em documentos produzidos pelo Centro de Informações do Exterior – CIEX, agência de espionagem ultrassecreta formada por diplomatas e agentes infiltrados brasileiros entre 1966 e 1985, se tornaram “prompts” para criação de imagens daqueles que tiveram suas vidas fragmentadas e destinos entrecortados na busca por liberdade em meio ao horizonte de incertezas.

A inteligência artificial se encarrega de dar vida a retratos que transcendem a realidade objetiva e expandem a compreensão entrelaçando a memória e a ficção, o humano e o tecnológico.

Numa jornada de resgate e enfrentamento, os rostos imaginados desafiam o esquecimento para que as vozes silenciadas jamais sejam esquecidas em meio às sombras do passado.





















Sobre o artista

Artista e arquiteto brasileiro. Pós-graduado em Gestão e Prática de Conservação e Restauro do Patrimônio Cultural; Gestão Estratégica de Pessoas; e cursando especialização em Inteligência Artificial e Computacional.

Sua produção transita no universo das artes visuais, tendo a imagem como elemento principal, indo da fotografia à arte generativa com uso de algoritmos computacionais. Sua busca processual e metodológica se estrutura a partir das relações de percepção da imagem, através do uso de tecnologias, antigas e atuais, num processo contínuo de tensionamento da complexidade de camadas e significados.

É autor do livro “Maré de Agosto” e participou de inúmeros festivais, exposições e salões de artes, com trabalhos selecionados/premiados. Em 2022 realizou duas exposições individuais, “É Tudo Depois” em Salvador, Bahia e “Maré de Agosto” em Catânia, Itália.

Para conhecer mais sobre o trabalho de Mateus Morbeck, acesse seu site ou Instagram.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Camille Brasselet: O que nos escapa

novembro 16, 2023 | por Resumo Fotográfico

“Venenum”, fotografia da série “Diaphane”, de Camille Brasselet

A fotógrafa francesa Camille Brasselet constrói suas cenas como pinturas e faz de seus modelos personagens de uma história sem começo nem fim. Em suas composições com cores suaves e iluminação plana, o out-of-frame torna-se protagonista por si só. O que não é dado a ver torna-se a parte irredutível do mistério na banalidade da vida quotidiana.

As fotografias de Camille Brasselet lembram as primeiras linhas de um roteiro: uma mulher sentada na cama, nua, de costas para o espelho... Uma jovem de maiô fica imóvel à beira de uma piscina... Suas imagens têm a mesma dimensão sintética, a mesma imediatez daquelas que se formam na nossa mente ao ler estas breves descrições. O cenário é reduzido ao essencial, estabelecendo um equilíbrio entre a personagem e o seu ambiente como se, nesta fase da história, ambos tivessem a mesma importância.

Para a artista, toda a história está neste momento. Não há antes nem depois, todos são livres para imaginar o que virá animar este momento suspenso: o drama ou o acontecimento feliz, a irrupção do mundo exterior ou a simples retomada do movimento da vida.

Camille Brasselet transforma seus modelos em personagens que ocupam esse entre realidade e ficção, específico do meio fotográfico. São personagens sem história, sem abandono: pelo contrário, sentimos nestes corpos congelados uma tensão que parece anunciar a iminência de um acontecimento.

Fotografia da série “Untitled Stories”, de Camille Brasselet

A jovem fotógrafa constrói suas cenas como um pintor comporia uma cena de gênero, utilizando os mesmos recursos: composição, cores, luz... “Tudo que cabe no meu enquadramento é pensado”, diz ela, antes de acrescentar, quase da mesma forma. frase: “o que me interessa é o exterior do enquadramento”.

Este fora do enquadramento convida-se a entrar nos cenários através de janelas, espelhos ou, como na série Untitled Stories, filas de quartos e mise en abyme. O que não é mostrado fica à imaginação e corre para este desconhecido para escapar à atmosfera destes interiores de cores suaves onde a vida quotidiana parece, no entanto, perturbadoramente estranha.

Esta emergência do mistério na vida quotidiana, aliada ao próprio aspecto pictórico destas fotografias, traz à mente as pinturas de Edward Hopper. Em ambos os artistas encontramos personagens ausentes e à espera, de quem emana um profundo sentimento de solidão. Esta solidão é particularmente palpável na série “La dilution du souvenir”, produzida durante o confinamento, em que a artista optou por um enquadramento mais amplo do que na série “À Côté”, iniciada dois anos antes.

O nu aparece implicitamente em todas as séries mencionadas até agora, mas na série “Diaphane” torna-se o próprio sujeito. Para além do nu, é a pele que interessa ao fotógrafo: o seu universo colorimétrico, o seu potencial pictórico, a sua capacidade de mostrar (a pele como adorno) e também de ocultar (a pele como envelope). O nome da série parece traduzir o território que a artista explora com esta série: Diaphane, “aquela que deixa passar a luz sem ser transparente”.

“Le Départ”, fotografia da série “La Dilution du souvenir”, de Camille Brasselet

“La Salle de bain”, fotografia da série “À côté”, de Camille Brasselet

“La Piscine n°3”, fotografia da série “La Dilution du souvenir”, de Camille Brasselet

Fotografia da série “À côté”, de Camille Brasselet

Para conhecer mais sobre o trabalho de Camille Brasselet, acesse seu site ou Instagram.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

As fotografias viscerais de Vanda Spengler

novembro 14, 2023 | por Resumo Fotográfico

Em uma jornada introspectiva, “Zones Grises” congela um período de transição na existência da artista suíça, combinando beleza e violência para questionar nossa relação com o corpo, a intimidade e o tempo



Um mundo sem cor, onde os corpos se abraçam, se beijam, se retorcem. Onde os cães latem e os flocos de neve caem, como pó de memórias, no chão. Um mundo onde o amor, a perda, o desconhecido e o passado se fundem para compor uma melodia melancólica que parece nunca desaparecer... Bem-vindo ao mundo de Vanda Spengler. “Nasci em uma família fantasiosa, apaixonada pelas palavras, muito confortável com o corpo e ávida por transgressão e liberdade. Depois de terminar o ensino médio por acaso, trabalhei em teatros para ser independente, cantando em grupos com meus amantes. Eu sabia desde muito cedo que as imagens seriam meu meio preferido. Apaixonada por cinema, foi através deste prisma que descobri a fotografia. Fiz muitos autorretratos, para facilitar. Depois, a necessidade de captar o outro nos seus aspectos mais crus e desequilibrados se impôs em mim”, afirma.

Mergulhar nas criações da artista é mergulhar em algo visceral. Um impulso instintivo, que vem de dentro, que ecoa na noite escura. Uma abordagem “primitiva”, inspirada em filmes que a tocaram, em temas catárticos e impulsivos. Longe de querer “criar beleza” ou esquecer-se da técnica, Vanda Spengler está, pelo contrário, interessada em despertar – ou transcrever – a emoção mais sincera. Ser honesta aconteça o que acontecer, apesar das falhas, dos defeitos, das tristezas e das hesitações.







Neuroses e suas intransigências

Foi em 2022 que nasceu a série “Zones Grises” (Áreas Cinzentas). “Eu estava então numa grande crise de meia-idade, questionando tudo”, lembra a fotógrafa. Para tentar dar sentido a esse tumulto existencial, ela mergulha em suas imagens e inicia uma viagem introspectiva até as fronteiras de sua própria intimidade. “A série conta migalhas de mim, fragmentos dispersos. Encontros que se cruzam e depois desaparecem. Tentei dar vida aos meus medos enterrados, aos meus demônios teimosos, às minhas feridas mal curadas, aos meus fantasmas ancorados”, confidencia. Da doçura de um abraço fugaz nas salas escuras de um cinema às dobras de pele enrugada e retorcida. Dos olhos fechados de uma criança perdida num sonho, aos fechados para a eternidade de um animal caído no chão, Vanda Spengler faz do seu projeto um espaço onde as nuances se multiplicam e são tingidas de profunda nostalgia. Num monocromático cru, em que os flashes parecem gritar, desfigurar, maltratar, ela marca esse período de transição com folha de flandres.

Um gesto corajoso que lhe parece emblemático da escrita fotográfica feminina: “Tenho a impressão de que a maioria dos meus colegas revelam a sua coragem nas suas imagens e colocam muita intimidade na sua abordagem. Muitos de nós começamos com autorretratos para recuperar uma visão tantas vezes alterada (...) Zones Grises empurra um pouco mais o cursor da simplicidade, talvez. Isso me permitiu mudar algumas falas, aceitar minhas neuroses e suas intransigências”, diz ela. E, na escuridão que o rodeia, revela aparições repentinas. Belos ou monstruosos, estes nos guiam pelas trevas, revelam dúvidas e medos, desejos e carências. Iluminam ligações carnais e descargas de adrenalina, os fragmentos de silhuetas que se tornam ruínas, danificadas pelo tempo e aqueles, subitamente tão frágeis, de cadáveres de insetos abandonados. Destacam o frio lá fora, quando a ausência nos faz perder o rumo do lar, e o calor de um sorriso infantil com descuido contagiante. Cheio de nuances e explorações variadas, “Zones Grises” parece uma homenagem à existência, em toda a sua complexidade. “A degradação de todas as coisas é um tema essencial para mim. Devemos lembrar que cada dia nos aproxima da morte, mas que podemos nos agarrar aos poucos belos ramos de vida e de partilha que estão à nossa disposição apesar de tudo”, conclui a autora.








sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Os fenômenos paranormais nas montagens de Marco Sanges

novembro 10, 2023 | por Resumo Fotográfico



Curiosas e aterrorizantes, as fotomontagens de Marco Sanges parecem saídas diretamente de um filme de terror de uma época em que o cinema colorido era apenas um sonho. De uma composição a outra, o “contador de histórias” constrói uma trama tão sombria quanto fascinante.

Na série “Wunderkamera”, corpos vaporosos aparecem, como fantasmas ou entidades estranhas, e se misturam em cenários teatrais. “Os meus trabalhos revelam os diferentes estados de consciência das personagens e exploram as dualidades entre conteúdo e ausência, espaço e superfície, criando assim uma cena a partir de um mundo imaginário”, explica o fotógrafo que descobriu o meio desde muito jovem em laboratório de seu tio.

O preto e branco utilizado pelo autor chama a nossa atenção e nos mergulha nessa fábula misteriosa e vertiginosa. “Desde criança sou fascinado por filmes em preto e branco. Adoro o romantismo, os contrastes e o lado atemporal e narrativo dessa colorimetria. Depois, cresci com o surrealismo e o cinema. O neorrealismo italiano estava acontecendo na minha porta, em Roma. Cineastas como Rossellini, Fellini e Visconti moldaram minha formação ”, lembra Marco Sanges.

Inspirada no livro Une semaine de bonté de Max Ernst, oferecido ao artista há vários anos, a série de colagens revela o fantástico mundo da fotomontagem num registo experimental com uma pitada de surrealismo, uma pitada de pesadelo e um toque de magia.















quinta-feira, 26 de outubro de 2023

As faces dos esportes de combate nas fotos de Aneesa Dawoojee

outubro 26, 2023 | por Resumo Fotográfico

O boxe e as artes marciais podem fornecer um santuário para todos, de crianças vítimas de bullying a bombeiros. Em uma série de retratos íntimos, a fotógrafa londrina capturou seus espíritos de luta



“The Fighting Spirit of South London” é uma série fotográfica que mostra a força por trás das comunidades de lutas esportivas do sul de Londres. Fotografada pela ex-praticante de artes marciais Aneesa Dawoojee, a coleção íntima de 40 retratos mostra a coragem dos lutadores em suas vidas pessoais, assim como no ringue.

Tendo praticado Muay Thai recreativamente desde a adolescência, Aneesa ficou fascinada pela coexistência de força e vulnerabilidade, concentrando-se em captar histórias de pessoas que lutam como forma de expressão - explorando como os esportes de combate são metáforas para a sobrevivência e a autodescoberta.

Fotografados entre 2019 e 2022, os retratos apresentam uma visão íntima da vida dos lutadores, desvendando histórias de luta, perda, amor, esperança e vitória. É uma carta de amor à força e à resiliência, que coloca as vozes dos seus sujeitos no centro - uma bela representação da vida com todas as suas falhas e beleza.

O trabalho anterior de Aneesa como mediadora no setor de caridade ajudou a criar um espaço seguro para conversas sem julgamentos com os fotografados, que começaram a partilhar suas histórias de vida. Os retratos são o resultado de horas de ensaios e construção de confiança com os lutadores, para documentar suas vitórias e a força interior da comunidade esportiva.





























Para conhecer mais sobre o trabalho de Aneesa, acesse seu site, Instagram, Facebook ou Twitter.

Fontes: Streatham Space Project e The Guardian