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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Casal lança fotozine que propõe reflexões sobre o ano de 2020

janeiro 12, 2021 | por Resumo Fotográfico

Durante o intenso isolamento imposto pela pandemia de covid-19, o fotógrafo Bruno Stuckert e a publicitária Ana Paula Grande registraram em imagens e textos a dicotomia de sentimentos aflorados nesse ano que parece ainda não ter terminado


Vinte Vinte - O ano que nunca acabou”, é uma mistura de angústias e sensações sob duas vertentes. A primeira é o microcosmo das atividades e histórias do cotidiano do casal. A segunda é um olhar mais amplo para as dores e medos vivenciados por toda humanidade desde a descoberta do novo vírus mortal que se espalhou pelo globo em pouquíssimos meses. 

Enquanto Bruno fotografava a cidade, as pessoas na rua e o dia a dia dentro de casa, Ana Paula anotava palavras soltas que traduziam os sentimentos mais diversos que eles experimentavam. Tudo sem grandes pretensões. 

Depois da meia noite do dia 31 de dezembro, a sensação do casal era de permanência num espaço-tempo passado. “Senti como se o tempo estivesse ficado em suspenso e nós estivéssemos presos num limbo entre a terra e um inferno dantesco”, conta Ana Paula. 

A partir dessa percepção, decidiram juntar suas criações artísticas e lançaram um e-zine (publicação independente virtual). 

“Eu gostaria que as pessoas pensassem sobre a fragilidade da vida humana e que conseguissem aumentar seu ângulo de visão pra enxergar de verdade, com empatia, as outras pessoas. As que estão ao seu lado, mas principalmente os vulneráveis”, resume o fotógrafo. 

O e-zine propõe uma reflexão sobre a antítese entre os privilégios que dividem a sociedade e os sentimentos que colocam toda a humanidade navegando no mesmo barco.








Sobre os artistas

Bruno Stuckert passou sua infância e adolescência na realidade privilegiada do plano piloto, mas ainda assim bem longe do luxo dos casamentos que registra atualmente ao redor do mundo. Dedicou-se ao fotojornalismo por quase uma década. A prática diária construiu um olhar capaz de criar imagens poéticas, delicadas e cheias de significados. 

Stuckert enxerga o mundo sob uma estética de beleza singular e imprime sua perspectiva em fotografias espontâneas tão perfeitas que parecem ter sido produzidas. Características que fizeram dele uma importante referência no segmento de casamentos. Já registrou uniões em praticamente todos os estados do Brasil e em diversos países. 

Ana Paula Grande é atriz desde os 10 anos. Bacharel em Comunicação Social desde 2005 e pós graduada em Marketing Digital pela FGV em 2017, a brasiliense já participou de 15 peças teatrais, mais de 10 curta metragens e ainda integrou o elenco principal da novela Amigas e Rivais no SBT durante sua temporada de 10 anos na cidade de São Paulo. De volta à Brasília, coordenou o projeto de marketing cultural Eu Faço Cultura. Atualmente, escreve, trabalha como mestre de cerimônias e ministra workshops e treinamentos.

Para ler o zine na integra, acesse: https://issuu.com/brunostuckert/docs/vintevinte.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Zine reúne fotografias tiradas por quem mora nas ruas de Belo Horizonte

setembro 08, 2020 | por Camila Camargo

Há 25 anos, o projeto “No Olho da Rua”, agora publicado em uma série de zines sem fins lucrativos, registra a vida de adolescentes que vivem nas ruas da capital mineira
No Olho da Rua, via It's Nice That

Era 1995 quando três amigos, Patrícia Azevedo, Murilo Godoy e o britânico Julian Germain, começaram o projeto “No Olho da Rua” em Belo Horizonte. A ideia era entregar câmeras a jovens moradores de rua da cidade, sem nenhuma supervisão, de forma que eles pudessem se expressar livremente, fotografando tudo aquilo que lhes chamassem a atenção e na hora que quisessem. 25 anos depois, o resultado desse trabalho pode ser visto numa série de 18 zines, organizados e publicados pela editora londrina Mörel Books.

Em entrevista ao site “It’s Nice That” Julian comentou que eles não faziam ideia de como esse projeto iria se desenvolver. Afinal de contas, de lá para cá, muitas mudanças aconteceram na vida dos idealizadores, dos jovens, da própria cidade e do próprio país. Nas palavras de Julian: “Eles eram adolescentes em 1995, incrivelmente atléticos – alguns deles já eram pais. A vida foi difícil de uma maneira inimaginável para eles”. Ao longo dos anos alguns conseguiram sair das ruas, mas muitos também desapareceram, foram presos, morreram por doenças ou violência. Eles conseguiram manter contato com 15 jovens, que hoje, próximos dos 40 anos, continuam vivendo nas mesmas ruas em que se conheceram no início do projeto.

Muitos podem se perguntar então, qual foi a importância desse trabalho para esses jovens, já que ao longo dos anos, não houve necessariamente uma melhora na condição de vida deles. Cabe aqui refletirmos o poder da fotografia no processo de eternizar memórias, situações e até mesmo pessoas. Tudo isso, como parte de uma necessidade humana dentro da construção de nossas identidades. O poder de acompanhar o crescimento de suas vidas por meio desses registros, traz aos jovens a possibilidade de reafirmar suas identidades e a própria existência que na maioria das vezes é ignorada.

Assim, entre aproximadamente 15 mil negativos coloridos de 35 mm, algumas gravações de áudio, entrevistas e vídeos, o projeto é um testemunho, uma perspectiva única, capaz de narrar as dificuldades e ilustrar os impactos da desigualdade social brasileira.