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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Brasileiro Adolpho Veloso é indicado ao Oscar de Melhor Fotografia

janeiro 22, 2026 | por Resumo Fotográfico



Nesta quinta-feira (22), Adolpho Veloso recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Fotografia por seu trabalho no filme “Sonhos de Trem”, produção da Netflix, dirigida por Clint Bentley. Ele também foi indicado ao ASC Awards, prêmio da American Society of Cinematographers.

Além das duas indicações aos principais prêmios da fotografia no cinema, Veloso já recebeu duas premiações importantes pelo mesmo trabalho. No dia 4 de janeiro, ele venceu o Critics Choice Awards, e no dia 10 de janeiro o prêmio da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles.

Veloso vai disputar a estatueta do Oscar com os diretores de fotografia Claudio Miranda (por “F1"), Dan Laustsen (por “Frankenstein”), Łukasz Żal (por “Hamnet”), Michael Bauman (por “Uma Batalha Após a Outra”) e Autumn Durald Arkapaw (por “Pecadores”).

A 98ª cerimônia de entrega dos Academy Awards acontece no dia 15 de março, no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Lol Crawley ganha o Oscar de Melhor Fotografia por “The Brutalist”

março 03, 2025 | por Resumo Fotográfico

Cena do filme “The Brutalist”, dirigido por Brady Corbet

Na noite desse domingo (2), Lol Crawley foi premiado com o Oscar de Melhor Fotografia por seu trabalho no filme “The Brutalist”, do cineasta Brady Corbet. A cerimônia de entrega do Oscar aconteceu no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia.

Laurie “Lol” Crawley é um diretor de fotografia britânico e ficou conhecido por suas colaborações com o diretor Brady Corbet. Além do Oscar, Laurie ganhou também o British Academy Film Award e recebeu indicações ao ASC Awards e ao Critics' Choice Movie Award.

domingo, 2 de março de 2025

Indicados ao Oscar de Melhor Fotografia

março 02, 2025 | por Cid Costa Neto

O diretor de fotografia Greig Fraser, indicado por “Dune: Part Two”

Neste domingo (2), acontece a 97ª cerimônia de entrega dos Academy Awards, no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia. Os indicados ao Oscar 2025 foram anunciados no dia 23 de janeiro. Veja abaixo quem são os profissionais indicados ao prêmio de Melhor Fotografia:

Edward Lachman

O cineasta e diretor de fotografia norte-americano Edward Lachman ficou conhecido por sua parceria com o diretor e roteirista Todd Haynes, que lhe rendeu duas indicações: Em 2002, por “Far from Heaven”, e em 2015, por “Carol”. No ano passado, ele foi indicado por “El Conde”, do cineasta chileno Pablo Larraín. Neste ano, ele concorre por “Maria”, também dirigido por Larraín. No último domingo (23), ele foi premiado com o ASC Awards.

Cena do filme “Maria”, dirigido por Pablo Larraín

Greig Fraser

Em 2022, o diretor de fotografia australiano Greig Fraser ganhou o Oscar por seu trabalho em “Dune”, adaptação cinematográfica do romance de ficção científica do escritor americano Frank Herbert, dirigida por Denis Villeneuve. Filme que também lhe rendeu o ASC Awards. Neste ano, ele concorre pela sequência da adaptação, “Dune: Part Two”, também dirigida por Villeneuve.

Cena do filme “Dune: Part Two”, dirigido por Denis Villeneuve

Jarin Blaschke

Jarin Blaschke é um diretor de fotografia reconhecido por sua parceria com o diretor e roteirista Robert Eggers. Em 2020, ele foi indicado ao Oscar por seu trabalho no filme em preto e branco “The Lighthouse” (2019) e agora concorre por “Nosferatu” (2024). Ele também foi responsável pela cinematografia de filmes como “The Witch” (2015) e “The Northman” (2022).

Cena do filme “Nosferatu”, dirigido por Robert Eggers

Lol Crawley

Laurie “Lol” Crawley é um diretor de fotografia inglês. Ele é conhecido por suas colaborações com o diretor Brady Corbet. Ele concorre ao Oscar por seu trabalho em “The Brutalist”, filme que lhe rendeu o British Academy Film Award e uma indicação ao Critics' Choice Movie Award.

Cena do filme “The Brutalist”, dirigido por Brady Corbet

Paul Guilhaume

O diretor de fotografia francês Paul Guilhaume concorre pela primeira vez ao Oscar de Melhor Fotografia por seu trabalho no filme “Emilia Pérez”, do cineasta Jacques Audiard.

Cena do filme “Emilia Pérez”, do cineasta Jacques Audiard

domingo, 10 de março de 2024

Hoyte van Hoytema ganha o Oscar de Melhor Fotografia por “Oppenheimer”

março 10, 2024 | por Resumo Fotográfico

Cillian Murphy em cena do filme “Oppenheimer”

Na noite deste domingo (10), o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema foi premiado com o Oscar de Melhor Fotografia por seu trabalho no filme “Oppenheimer”, do cineasta britânico Christopher Nolan. Ainda nesse ano ele foi premiado com o ASC Awards, o BAFTA e o Critics' Choice, pelo mesmo trabalho. Essa foi a segunda indicação de Hoytema ao Oscar. Em 2018 ele foi indicado por seu trabalho no filme “Dunkirk”, também dirigido por Nolan.

Nascido em Horgen, na Suíça, Hoyte van Hoytema estudou na Escola Nacional de Cinema de Łódź, na Polônia, entre 1993 e 1997. Ele trabalhou em pequenas obras na Polônia, nos Países Baixos e na Noruega, onde conheceu o produtor sueco Malte Forssell, que o levou para a produção da série “Danslärarens Återkomst”. Desde então, Hoytema trabalhou em séries de televisão e filmes tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Veja quem são os diretores de fotografia indicados ao Oscar 2024

março 08, 2024 | por Cid Costa Neto

Christopher Nolan e o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema durante as filmagens de “Oppenheimer”

Neste domingo (10), acontece a 96ª cerimônia de entrega dos Academy Awards, no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia. Os indicados ao Oscar 2024 foram anunciados no dia 23 de janeiro e dentre eles estão os diretores de fotografia. Veja abaixo quem são os profissionais indicados ao prêmio de Melhor Fotografia:

Edward Lachman

Edward Lachman é um cineasta e diretor de fotografia norte-americano, indicado por seu trabalho em “El Conde”, filme do cineasta chileno Pablo Larraín. Lachman ficou conhecido por sua parceria com o diretor e roteirista Todd Haynes, que lhe rendeu duas indicações anteriores: Em 2002, por “Far from Heaven”, e em 2015, por “Carol”. Ambos os trabalhos foram premiado ainda com o Independent Spirit Awards.

Cena do filme “El Conde”

Hoyte van Hoytema

Em 2018, Hoyte van Hoytema foi indicado ao Oscar pela primeira vez por seu trabalho no filme “Dunkirk”, do cineasta britânico Christopher Nolan. Agora, o diretor de fotografia holandês concorre por “Oppenheimer”, também dirigido por Nolan. Na noite do último domingo (3), ele foi premiado com o ASC Awards, concedido pela American Society of Cinematographers. Ainda neste ano ele ganhou também o BAFTA e o Critics' Choice, pelo mesmo trabalho.

Cena do filme “Oppenheimer”

Matthew Libatique

O diretor de fotografia norte-americano concorre por seu trabalho em “Maestro”, filme dirigido por Bradley Cooper. Libatique é conhecido pelos trabalhos realizados em parceria com o diretor Darren Aronofsky, como Black Swan, de 2010, que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar. Em 2018 ele foi indicado por “A Star Is Born”, também dirigido por Bradley Cooper.

Cena do filme “Maestro”

Robbie Ryan

Robbie Ryan é um diretor de fotografia irlandês, conhecido por seus trabalhos com o cineasta grego Yorgos Lanthimos. Essa parceria rendeu duas indicações ao Oscar. A primeira veio em 2019, com “The Favourite” e agora, em 2024, com “Poor Things”.

Cena do filme “Poor Things”

Rodrigo Prieto

O diretor de fotografia mexicano Rodrigo Prieto concorre por seu trabalho em “Killers of the Flower Moon”, mais recente filme do cultuado diretor Martin Scorsese, lançado pela Apple TV. Essa á quarta indicação de Pietro, que já concorreu por “Brokeback Mountain”, em 2006, “Silence”, em 2017 e “The Irishman”, em 2020. Sendo este último também em parceria com Scorsese.

Cena do filme “Killers of the Flower Moon”

segunda-feira, 4 de março de 2024

Hoyte van Hoytema ganha o ASC Awards por “Oppenheimer”

março 04, 2024 | por Resumo Fotográfico

Cena do filme “Oppenheimer”, 2023

O diretor de fotografia holandês Hoyte van Hoytema foi o grande vencedor da 38ª edição do ASC Awards, prêmio concedido pela American Society of Cinematographers, por seu trabalho no filme “Oppenheimer”, dirigido por Christopher Nolan. O evento aconteceu na noite desse domingo (3), no Beverly Hilton Hotel, em Hollywood.

Hoyte - que também foi indicado para o Oscar 2024 pelo mesmo filme - concorreu na categoria Melhor Fotografia em Filme para o Cinema com outros quatro cineastas: Edward Lachman, indicado por “El Conde”, Matthew Libatique por “Maestro”, Rodrigo Prieto por “Killers of the Flower Moon” e Robbie Ryan por “Poor Things”.

O prêmio Spotlight Award foi para Warwick Thornton por “The New Boy”. O prêmio na categoria documentário foi para Curren Sheldon, por “King Coal”. Os prêmios para séries de TV foram para David Mullen, por “The Marvelous Mrs. Maisel“ (Four Minutes) e Carl Herse, por “Barry” (Tricky Legacies). Em filmes para a TV, o prêmio ficou com Ben Kutchins, por “Boston Strangler”.

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

50 anos de “O Exorcista”

dezembro 26, 2023 | por Cid Costa Neto



Há 50 anos, no dia 26 de dezembro de 1973, era lançado nos cinemas “O Exorcista”, adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome escrito por William Peter Blatty. Assim como a versão literária, o filme dirigido por William Friedkin foi sucesso de público e crítica.

No ano seguinte, “O Exorcista” tornou-se o primeiro filme de terror a ser indicado ao Oscar de melhor filme, além de levar duas estatuetas, de melhor roteiro adaptado e melhor edição de som. O diretor de fotografia Owen Roizman, que faleceu em janeiro deste ano, também foi indicado.

Uma das cenas mais marcantes do longa de Friedkin é a imagem do sacerdote que aparece sob uma sombra em frente ao quarto iluminado de Regan, a menina possuida. Tanto a composição quanto a iluminação da cena lembram uma das obras do pintor surrealista belga René Magritte.

domingo, 12 de março de 2023

James Friend ganha o Oscar de Melhor Fotografia por “Nada de Novo no Front”

março 12, 2023 | por Resumo Fotográfico

Na noite deste domingo (12), o diretor de fotografia britânico James Friend foi premiado com o Oscar de Melhor Fotografia por seu trabalho no filme alemão “Nada de Novo no Front”, épico de guerra da Netflix dirigido por Edward Berger. Até então, Friend era mais conhecido por seus trabalhos em séries como “Your Honor”, da Paramount, e “Willow”, da Disney. A cerimônia de premiação aconteceu no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia.

sexta-feira, 10 de março de 2023

Conheça os indicados ao Oscar de Melhor Fotografia em 2023

março 10, 2023 | por Cid Costa Neto

Neste domingo (12), acontece a 95ª cerimônia de entrega dos Academy Awards, no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia. Conheça os indicados ao prêmio de Melhor Fotografia:

Darius Khondji

O diretor de fotografia iraniano Darius Khondji concorre ao Oscar pela segunda vez, indicado por seu trabalho no filme mexicano “Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades”, dirigido por Alejandro Iñárritu. Khondji é conhecido por seu trabalho em “Seven - Os Sete Crimes Capitais” (1995) e “Evita” (1996), que lhe rendeu sua primeira indicação ao prêmio da Academia.


Cena do filme “Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades”

Florian Hoffmeister

Florian Hoffmeister é um diretor de fotografia alemão, indicado por “Tár”, filme dirigido por Todd Field, com Cate Blanchett no elenco. Ele é mais conhecido por seus trabalhos em produções para a televisão britânica, tanto em filmes quando em séries.

Cena do filme “Tár”, com Cate Blanchett

James Friend

O diretor de fotografia britânico James Friend - indicado por “Nada de Novo no Front”, épico de guerra dirigido por Edward Berger - é mais conhecido por seus trabalhos em séries como as recentes “Your Honor”, da Paramount, e “Willow”, da Disney.


Cena do filme “Nada de Novo no Front”

Mandy Walker

A diretora de fotografia australiana Mandy Walker é conhecida por seu trabalho em filmes como “A Garota da Capa Vermelha” (2011) e pela adaptação live-action de “Mulan” (2020). Está sendo indicada por seu trabalho em “Elvis”, dirigido por Baz Luhrmann que conta a história do cantor e ator Elvis Presley, que no último domingo lhe rendeu o prêmio da ASC.


Cena do filme “Elvis”

Roger Deakins

O diretor de fotografia Roger Deakins concorre por “Império da Luz”. Essa é a 16ª indicação do cineasta ao Oscar. Ele já concorreu por seu trabalho em filmes como “Um Sonho de Liberdade", “Fargo", “O Leitor" e “Onde os Fracos Não Têm Vez". Ganhou seu primeiro Oscar em 2018 com o filme “Blade Runner 2049” e novamente em 2020 com “1917”.


Cena do filme “Império da Luz”

segunda-feira, 6 de março de 2023

Mandy Walker torna-se a primeira mulher a ganhar o ASC Awards

março 06, 2023 | por Resumo Fotográfico


Mandy Walker no set de “Elvis” | Foto: Ruby Bell

A diretora de fotografia australiana Mandy Walker foi a grande vencedora da 37ª edição do ASC Awards, prêmio concedido pela American Society of Cinematographers, por seu trabalho no filme “Elvis”. O evento aconteceu nesse domingo (5), em Beverly Hills, Califórnia.

Walker - que também foi indicada ao Oscar 2023 pelo mesmo filme - concorreu com o diretor Claudio Miranda por “Top Gun: Maverick”, Darius Khondji por “Bardo, falsa crónica de unas cuantas verdades”, Greig Fraser por “The Batman”, e Roger Deakins por “Empire of Light”.

O prêmio Spotlight Award foi para Sturla Brandth Grøvlen por “War Sailor”. Os prêmios para TV foram para M. David Mullen por “The Marvelous Mrs. Maisel”, Jules O'Loughlin por “The Old Man”, Sean Porter também por “The Old Man”, e Carl Herse por “Barry”.

segunda-feira, 28 de março de 2022

Greig Fraser ganha o Oscar de Melhor Fotografia por “Duna”

março 28, 2022 | por Resumo Fotográfico


Nesse domingo (27), o diretor de fotografia australiano Greig Fraser foi premiado com o Oscar de Melhor Fotografia por seu trabalho em “Duna”, adaptação cinematográfica do romance de ficção científica do escritor americano Frank Herbert. O filme tem direção do franco-canadense Denis Villeneuve. No domingo anterior (20), Fraser já havia vencido também o ASC Awards, premiação concedida pela American Society of Cinematographers.

sábado, 26 de março de 2022

Conheça os diretores de fotografia indicados ao Oscar 2022

março 26, 2022 | por Cid Costa Neto

Neste domingo (27), acontece a 94ª cerimônia de entrega dos Academy Awards, no Teatro Dolby, em Los Angeles, Califórnia. Conheça os indicados ao prêmio de Melhor Fotografia:

Bastidores das filmagens de “Ataque dos Cães”

Ari Wegner

A diretora de fotografia australiana Ari Wegner é reconhecida pelo trabalho realizado no filme “Lady Macbeth”, dirigido por William Oldroyd, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Fotografia do British Independent Film Awards, em 2017. Ela concorre ao Oscar por “Ataque dos Cães”, produção da Netflix dirigida por Jane Campion.

Cena do filme “Ataque dos Cães”

Bruno Delbonnel

Indicado por “A Tragédia de Macbeth”, produção da Apple TV com direção de Joel Coen, Bruno Delbonnel já recebeu cinco indicações anteriores, por “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, “Eterno Amor”, “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”, “Inside Llewyn Davis” e “O Destino de Uma Nação”. Foi indicado também a quatro ASC Awards, vencendo por “Eterno Amor”.

Cena do filme “A Tragédia de Macbeth”

Dan Laustsen

Dan Laustsen é um diretor de fotografia dinamarquês, reconhecido por seus trabalhos em parceria com o premiado diretor mexicano Guillermo del Toro. Essa parceria rendeu a Laustsen duas indicações ao Oscar de Melhor Fotografia: em 2018, por seu trabalho no filme “A Forma da Água”, e agora, em 2022, por “O Beco do Pesadelo”.

Cena do filme “O Beco do Pesadelo”

Greig Fraser

O diretor de fotografia australiano Greig Fraser concorre por seu trabalho em “Duna”, adaptação cinematográfica do romance de ficção científica do escritor americano Frank Herbert, dirigida por Denis Villeneuve. No último domingo (20), Fraser ganhou o ASC Awards, premiação concedida pela American Society of Cinematographers.

Cena do filme “Duna”

Janusz Kaminski

Indicado por “Amor, Sublime Amor”, Janusz Kaminski é um diretor de fotografia polonês reconhecido por sua longa parceria com o diretor Steven Spielberg desde “A Lista de Schindler”, filme que rendeu seu primeiro Oscar. A segunda premiação da Academia veio com “O Resgate do Soldado Ryan”, também dirigido por Spielberg.

Cena do filme “Amor, Sublime Amor”

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

A Tragédia de Macbeth: Luzes e sombras em contrastes que desenham consciências

fevereiro 23, 2022 | por Anônimo

Cenários geométricos estrategicamente iluminados

Respeitosamente fiel à obra de um dos pais do teatro, Shakespeare, a cinematografia de “A Tragédia de Macbeth”, de Joel Coen, 2021, é notável essencialmente por usar os recursos do teatro, num audacioso preto e branco, com cenários que, ao mesmo tempo que imponentes, enormes e profundos, são minimalistas no que tange a detalhes, como um palco. Além disso, através de perceptíveis influências do Expressionismo alemão e algumas pitadas do grande mestre um dos primeiros a filmar a tragédia, Orson Welles, em “Macbeth – Reinado de Sangue”, 1948 - como a grandiosidade dos cenários, os contrastes em p&b, a dramaticidade dos atores -, Coen traz uma versão única e imponente do texto do poeta britânico.


Kathryn Hunter (as 3 bruxas) e os diretores Joel Coen e Bruno Delbonnel, nos bastidores de “A Tragédia de Macbeth”

É expressiva e determinante a direção de fotografia de Bruno Delbonnel, o veterano com cinco indicações ao prêmio da Academia e parceiro do diretor em “Paris, Je T'aime” 2006, “Inside Llewyn Davis”, 2013, e “A Balada de Buster Scruggs”, 2018, além de outras admiráveis obras de destaque admiráveis como “Across the Universe, 2007, “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, 2001 e tantas outras preciosidades( veja filmografia completa em adorocinema.com). Delbonnel, em perfeita sintonia com os objetivos de Coen, atua de maneira a destacar a contradição da gananciosa consciência humana conduzida por ideias externas às quais se deixa levar e seduzir. Com o intenso antagonismo do preto e branco, em matizes contrastantes e em paisagens geométricas profundas, imensas e vazias, a fotografia é recurso fundamental em evidenciar o profundo atrito moral interior dos personagens principais e, ao mesmo tempo, a pseudo grandeza de um reino (tudo tão vazio).

Profundos, vazios, ressonantes

Em cenas que destacam os personagens e suas falas com closes perturbadores, que levam o espectador a perceber seus profundos e antagônicos sentimentos, Delbonnel utiliza-se, ainda, de preciosas técnicas de iluminação que geram sombras em cenários espartanos para desenhar, dramática e cruamente, a angústia de consciências humanas em momentos de grandes decisões. O resultado é que ficamos meio hipnotizados diante de tamanhos contrastes, imensidões e close-ups com palavras tão intensas. Há que se parar em certos trechos, revê-los e apreciar a plasticidade da cena.

Denzel Washington como Macbeth

Outro recurso utilizado e que dirige o olhar do espectador, fechando-o ainda mais na cena, é o formato 4:3 de tela, mais quadrado — diferente do usual widescreen, em 16:9, horizontal. “Queríamos focar no ritmo da linguagem de Shakespeare e no poder das falas, e não há nada melhor para close-ups e estabelecer a presença do ator na tela do que o quadro da Academia. Se você pensar na mesma cena em anamórfico, você tem muito ar dos dois lados, o que para nós seria contraproducente” explicou Delbonnel em entrevista ao site IndieWire.

Frances McDormand como Lady Macbeth

Além de Welles e Coen, outros grandes mestres também se encantaram com a tragédia e a realizaram como Akira Kurosawa em “Trono Manchado de Sangue” (no Japão, “O Castelo Teia de Aranhas”), 1957, que ousadamente adaptou uma obra ocidental para um cenário e tradições orientais e Roman Polanski, (entre outros tantos, pois este texto originou mais de 25 filmes) em “Macbeth”, 1971, que se destaca pela crueza e violência da narrativa. Ambos também sensacionais e imperdíveis.

Mesmo focando em cinematografia, lembrando que uma equipe cinematográfica vai além da diretoria, não podemos deixar de destacar o brilho de toda a equipe do projeto. E às brilhantes e intensas atuações dos ícones da dramaturgia cinematográfica, Denzel Washington (como se o papel tivesse sido feito pra ele, há 400 anos atrás) e Frances Louise McDormand (esposa e parceira de Coen em várias obras), na sutileza crua da determinação de Lady Macbeth. Percebe-se todos tão profundamente envolvidos no objetivo, todos no mesmo ritmo, na mesma sintonia, fatores que tornam possíveis e perceptíveis a poderosa harmonia e o equilíbrio no resultado final desta obra de arte, mesmo que ela narre sobre desequilíbrios e desarmonias.

Cena de Macbeth

Como ressalta Delbonnel: “Este filme é sobre ritmo. É sobre a luz ser um ritmo dentro do ritmo da linguagem, e o ritmo da forma, como os atores caminham pelo set, e há o ritmo do design, do som e da música. É um ritmo dentro de um ritmo dentro de um ritmo.”

Delbonnel no ritmo de Macbeth

O bardo inglês, com certeza, se comoveria com esse ritmo e aplaudiria de pé. Vale ver, sentir e refletir. Mais de uma vez.

 

 "O sino me convida.
Não ouça, Duncan; pois é um toque
que te chama para o céu ou para o inferno
”

- William Shakespeare, Macbeth , 2.1

 

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Entrevista: Adrian Teijido, diretor de fotografia de "Marighela"

novembro 24, 2021 | por Anônimo

Teijido filmando com a câmera na mão, em planos fechados, principal técnica utilizada no filme

Quando soube do lançamento de “Marighela", me animei. Desde que fora lançado, apenas em Berlim, em 2019, por problemas aqui que me abstenho de abordar, fiquei ansiosa por assisti-lo. Ao ver o trailer, já me entusiasmei bastante, a fotografia é impactante e pensei: “vou escrever sobre esse filme”. E fui além: porque não tentar umas palavras do diretor de fotografia, Adrian Teijido? Juntei toda minha audácia, mesclada da humildade de uma admiradora de sua obra, e chamei-o no Instagram. Ele me respondeu em poucas horas, muito atencioso e gentil, dizendo que estava filmando na Amazônia, mas que em 2 dias retornaria a São Paulo e poderíamos conversar. E assim foi.

Adrian Teijido, consagrado e premiado diretor de fotografia, nasceu em Buenos Aires, Argentina, e foi radicado no Brasil, em 1968. Seus pais vieram de uma Argentina golpeada e Adrian conta ter vivido momentos de tensão aqui, em sua infância e adolescência, durante a ditadura militar. Ele foi presidente da ABC - Associação Brasileira de Cinematografia - e faz parte da atual diretoria. Detentor de diversos prêmios, Adrian demonstra um profundo envolvimento em seu trabalho; mergulha-se em profundas pesquisas, inúmeros testes, envolve-se nas buscas de soluções e se doa abnegadamente à produção. Tamanho envolvimento salta aos olhos na intensidade e primor de suas obras.

Difícil, porém, é falar da fotografia de "Marighela" sem creditar o devido mérito a todas as equipes envolvidas. É perceptível, logo no início da película, uma intensa sinergia nas equipes de produção, tão engrenados e sintonizados numa harmonia de interesses que impressiona. Ninguém estava ali por acaso. E não é para menos. Conduzidos pelo experiente e premiado ator Wagner Moura, estreante na direção, mas com tão intensa carga de atuação, que soube unir toda a equipe em torno do objetivo final, com a empatia e a maestria da vivência adquirida em sets. Como destaca Teijido,“a liderança do Wagner é muito cativante”.

Teijido em filmagem de sequencia de ação em cenas externas

A equipe cinematográfica deste trabalho expressa fiel e primorosamente os desejos do diretor em sua intenção maior: a do realismo. Conforme Teijido, a ideia era transmitir, o mais realisticamente possível, a história insistentemente boicotada pela mídia brasileira por décadas. Para criar essa atmosfera documental e narrar eventos baseados em fatos reais, eles apostaram numa fotografia com paleta quase sombria, quase noturna, com pequenos toques em vermelho terroso, que transmitem a ideia de um mundo comum, jornalisticamente “normal”, mas também um mundo (omitido pelo “sistema” que calou a mídia) de questionamentos, batalhas e expectativas: um mundo humano, com suas desumanidades (ou melhor seria dizer, um mundo desumano, com suas humanidades). O filme é sensorial desde o início, na sequencia dos intensos e intermináveis 4 minutos do assalto ao trem, realizadas com câmera na mão e planos, em sua maioria, fechados e intimistas, em ações rápidas e tensas, que nos inserem involuntariamente na alma dos personagens. E começamos a ver com seus olhos e a sentir suas sensações, as emocionais e as físicas. Algumas bem fortes e cada vez mais sinestésicas ao longo da narrativa. Lembra aqueles filmes transmitidos em telas de 180 graus, em que parece que estamos “lá”, na cena, no fato. Dá taquicardia.

Frederico Pinto, Wagner Moura e Adrian Teijido

Mas, em contraponto, há também poesia, expressa principalmente pelas imagens do revolucionário e seu filho, Carlinhos, no mar. E pelas cartas gravadas pelo pai ao filho, em belas e suaves imagens. Momentos em que conhecemos um Marighela com anseios e frustrações marcados pela dualidade de uma paternidade distante, porém profundamente existente. Apesar de melancólicas, são imagens mais claras, ainda em tons secos e frios, mas com mais verde e azul, que geram, na narrativa dura, certa doçura e esperança, algum equilíbrio entre a dureza da vida politica e revolucionária e a suavidade de uma possível (?) vida familiar.


Pai e filho na praia

Bem, deixemos os melhores e curiosos detalhes e curiosidades para o maestro de tão reveladoras imagens. Com a palavra, Adrian Teijido.

Qual foi a concepção do objetivo principal colocado pelo diretor para a cinematografia do filme?

Logo que comecei a conversar com Wagner, percebi o que ele queria. Apesar de ser sua primeira direção, o fato de eu conhecer suas atuações e de já termos trabalhado juntos em Narcos, fez com que eu entendesse bem o estilo dele. E ele sempre tinha claro o que queria, o jeito que ele pensa é muito do ponto de vista do ator, ele gosta da câmera na mão, envolvida na trama, próxima dos atores e da forma mais livre possível, sem marcas, o que dificulta bastante os enquadramentos. Mas entendi o que buscava: que a cinematografia se aproximasse do documental, ele queria que vissem que aquilo fosse real, muito real. Esse conceito documental leva o espectador a acreditar o máximo possível, faz com que veja o filme como realidade, sem pirotecnia, sem glamourizar a realidade.

Seu Jorge, Wagner Moura e Adrian Teijido no set de filmagem

Quais foram os caminhos tomados pelas equipes de cinematografia para viabilizar esse conceito?

Uma vez estabelecido o conceito, Gabriela Cassaro fez uma intensa pesquisa de imagens de filmes políticos, para a gente ver o que ele gostava o que não, desde os Irmãos Dardenne, que ele gosta muito, Costa-Gravas, A Batalha de Argel, entre tantos outros. Frederico Pinto, diretor de arte, pesquisou sobre a época, em são Paulo e Rio, mergulhou na criação de uma paleta que transmitisse a época, foi descobrindo referências em filmes de ficção, de arte, como eram estas capitais em cores, figurinos, texturas, carros. Assim, a coisa foi ganhando forma.

Pouco antes de filmar, fiz testes, acho fundamental fazer os testes. Pedi atores semelhantes, com tons de pele parecidos com a de Seu Jorge e os outros e filmamos mesmo, com figurinos e locações; e filmei muito com câmera na mão, tomadas diurnas, noturnas, externas, internas. Fiz a pesquisa das cores, das texturas. Foca (Luciano Foca, da O2 Filmes) foi o colorista e conseguimos definir o conceito. Levei para o Wagner e o Frederico e concordamos com a paleta.

Em paralelo, a Fátima Toledo trabalhava os atores por meio de palestras e encontros com membros da ALN (Aliança Libertadora Nacional) e outras pessoas referenciais da época, que relataram suas vidas, as técnicas de tortura sofridas por eles, tudo o que vivenciaram na ocasião. Nós assistíamos aos ensaios com o Wagner, o que nos ajudou a perceber a intensidade dos atores, completamente imersos no conceito do filme.

Toda produção cinematográfica tem inúmeros desafios. Quais foram os maiores desafios que vocês enfrentaram para respeitar a concepção do filme?

Todo filme é um desafio mesmo, a gente espera sempre o máximo de tudo, captação, atores, era uma produção grande, mas nunca tinha o dinheiro suficiente, a gente quis locações que não conseguiu. Fotografar filmes de época em São Paulo e Rio é muito complicado, está tudo destruído, o prédio antigo tem, ao lado, um moderno. Chegamos a considerar fazer em Montevidéu, porque lá conseguiríamos prédios de época melhores, mais carros antigos, o clima melhor. Filmamos em Cachoeiro na Bahia, as cenas de Salvador, pois é parecido com a Salvador da época. Eu adoro a sequencia em que o filho do Marighela entra no mar e vem a musica do Gonzaguinha como trilha. Nesse momento da produção a gente já não tinha mais tempo nem grana, fomos no dia de nossa folga, com equipe reduzida, às 2 da manhã... E a natureza no presenteou com um lindo dia, era dia de Iemanjá e Wagner, como bom baiano, ligado no candomblé... Foi muito mágica a energia desse dia, todo mundo lutando contra o tempo. Outro momento difícil foi quando, no inicio da produção, e já em fase de ensaios, o Mano Brown, que era o protagonista, teve que deixar o filme, por problemas de excesso de compromissos. Foi um trauma, um atraso, mas são coisas que acontecem. Sem contar o fato dei termos que lançar o filme em Berlim e não aqui. Tivemos e vencemos grandes obstáculos.


Cena da explosão com Humberto Carrão

Ao assistir ao filme, a gente percebe uma sinergia intensa entre as equipes técnicas e atores. E a relação com Wagner, como você a define?

A liderança do Wagner é muito cativante, é impossível ter atrito com ele, a não ser que você pise na bola mesmo. Mas é preciso entendê-lo, ele é muito exigente, sério, mergulhado no trabalho. Ele se envolve intensamente, então tem que sacar e embarcar junto e, uma vez que isso acontece, é impossível ter atrito, é um set intenso e sério. Sou muito grato por ter tido essa oportunidade de trabalhar com ele de novo e, também, por tê-lo como amigo. Eu o admiro profundamente, é um cara muito compromissado com suas ideias.

Marighela e Carlinhos voltando da praia

Para finalizar, nos fale um pouco sobre a importância desse filme para você.

Esses momentos de tensão da ditadura sempre estiveram presentes em nossas conversas familiares. Apesar dos eventos terem ocorrido há 50 anos - tenho 58 anos, vivi um pouco distante desses fatos - meus pais, também da área do audiovisual - pai publicitário e mãe atriz e produtora - estavam sempre atentos e tinha muita tensão nesta época. Viemos da Argentina em 68 e, crescendo aqui no Brasil, sentindo as tensões de meus pais, fui entendendo o que a gente vivia com bastante clareza. Hoje, sabemos que as gerações novas não têm noção do tamanho da truculência que houve em tudo o que aconteceu. Pessoalmente, eu sempre acreditei que mostrar a verdade era importante para deixar muito claro o tamanho da atrocidade e da violência do que houve. Infelizmente é muito importante que tudo seja mostrado assim, com crueza, pois é fundamental entender a intensidade do que ocorreu.

“Uma ideia não pode ser assassinada, meu filho.
Nem com um tiro, nem com mentiras.”
- Carlos Marighela

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Coletivo DAFB – Mulheres e transgêneres unidas para superar a discriminação

setembro 29, 2021 | por Anônimo

Mulheres e pessoas transgêneres da cinematografia se unem em coletivo para superar os desafios do preconceito de gênero no setor mais machista do cinema


A discriminação sofrida por mulheres e pessoas transgêneres não é novidade em nenhuma área profissional do planeta. E não seria diferente no cinema. Porém, no departamento de fotografia do cinema ela é gritante. As desculpas vão de “os equipamentos são pesados”, (o que já não procede hoje, pois os equipamentos estão cada vez mais leves) até “são poucas as profissionais no setor”, o que acontece realmente, mas justamente por causa da discriminação que acaba por afastar as mulheres da função. Como explica Nina Tedesco, diretora de fotografia, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisadora da relação entre gênero e audiovisual, uma das fundadoras do coletivo:

Rapidamente, as mulheres que se interessam pela profissão percebem que os diretores confiam menos nelas, que a equipe contesta mais o trabalho delas e que elas vão precisar brigar a vida inteira em desigualdade de oportunidades e sujeitas a assédio. Isso vai minando a profissionalização dessas mulheres na área. (Revista Trip, fevereiro de 2018)

Em 2016, quando a produtora O2 publicou uma lista de promessas da direção de fotografia nacional totalmente masculina, as diretoras de fotografia e profissionais do departamento decidiram agir. Era inacreditável que uma das principais produtoras do cinema nacional não conhecesse (ou reconhecesse) o trabalho de nenhuma promissora diretora de fotografia, muito menos das profissionais de base. Foi quando elas se uniram e criaram o coletivo DAFB - Diretoras de Fotografia do Brasil. Flora Dias, uma das diretoras fundadoras, esclarece:

Criamos uma base de dados com as fotógrafas de cada estado como um “cala boca” para quem diz que não existimos. É importante exercitarmos nossa autoafirmação. Temos que nos impor como diretoras de fotografia e afirmar o que sabemos fazer. Não vai ser um homem que vai dizer o que posso fazer. Se a gente for depender disso, a gente não trabalha.

Para se ter uma ideia de quão gritante é a ausência de fotografas no cinema brasileiro, entre 1995 e 2015 foram lançados 809 longas-metragens no Brasil. Desse total, apenas 48 foram fotografados por mulheres e 631, assombrosamente, não tinham sequer uma mulher em toda a equipe de fotografia. Veja os gráficos:


 

Além de compilar e divulgar os currículos das diretoras de fotografia, assistentes e técnicas diversas (mulheres cis e trans), o site do coletivo oferece importantes cursos de imersão, oficinas e debates que contribuem para a profissionalização das associades (termo DAFB, que prioriza o "e" em lugar dos discriminatórios "o" e "a") em inicio de carreira tanto tecnicamente, quanto nas questões da inserção no mercado de trabalho, o maior desafio.

Falta de talento e envolvimento não existe entre elas. Apesar de tantos desafios e dificuldades, no site do DAFB podemos apreciar a carreira de diretoras premiadas em películas lindamente fotografadas. Veja alguns exemplos:

Heloisa Passos

Veterana na cinematografia nacional, Heloísa é referência para a nova geração de fotógrafas e uma das que oferecem cursos e oficinas de formação. Atualmente ela tem garantido os melhores orçamentos no mercado do cinema. Heloísa destaca que iniciou sua carreira independente, quando percebeu que não receberia convites espontâneos. Segundo ela, dois filmes a destacaram no cenário da fotografia nacional e internacional: o longa documentário “Manda bala”, sobre corrupção no Brasil, premiado em Sundance, em 2007, e o longa de ficção “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, dos nordestinos Marcelo Gomes e Karim Aïnouz.
 

Cena de “Viajo porque preciso, volto porque te amo”

Kátia Coelho

Também uma referência atual e fundadora do coletivo, Kátia foi precursora no âmbito feminino da cinematografia nacional. Ela conta que desbravou, sozinha, um universo totalmente machista. “Eu não tinha força para carregar todo o equipamento, então colocava a câmera em uma mochila de escoteiro.” Ela trabalhou como assistente de câmera por nove anos, até conquistar seu espaço entre os colegas e assinou títulos como “A via láctea”, de Lina Chamie, com Marco Ricca e Alice Braga, e “Como fazer um filme de amor”, de José Roberto Tourero, estrelado por Denise Fraga e Cássio Gabus Mendes.


Cena de “Como fazer um filme de amor”

Luciana Baseggio

Luciana também teve, em sua carreira, a necessidade de se provar capaz perante os homens. “Eu era arisca quando mais nova e não deixava ninguém me ajudar. Para ser aprovada, a gente acaba exagerando um pouco nessa dose. É uma maneira de a gente se defender. As mulheres têm que sempre que exceder, estar à frente e lutar muito”, ressalta. Foi com essa garra e determinação que ela conseguiu fotografar películas como “Sobre sete ondas verdes espumantes”, de Bruno Polidoro e Cacá Nazario, 2014, “Dromedário no asfalto”, de Gilson Vargas, 2015, “Menos que nada”, de  Carlos Gerbase, 2012, entre outros.


Cena de “Menos que nada”

E como estas talentosas e já veteranas diretoras, tem muitas outras no site do DAFB, algumas ainda principiantes, mas com tantas histórias parecidas, em que os desafios, além dos naturais de qualquer começo, são ainda maiores, alimentados pelo preconceito e pela discriminação de gêneros. São filmografias intensas e inspiradoras que merecem e devem ser apreciadas e estudadas. Pois se o olhar masculino é o que impera no momento, o feminino é o que agrega, compartilha, dá brilho, cor e voz especialmente sensíveis e diferenciados a essa forma tão peculiar de contar histórias que é o cinema.