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quarta-feira, 2 de outubro de 2019

As redes sociais transformaram a fotografia em competição?

outubro 02, 2019 | por Resumo Fotográfico


Ser fotógrafo costumava ser bem simples. Você tinha uma câmera, tinha um assunto que gostava de fotografar e costumava sair com sua câmera e fotografar o assunto de que gostava. E, além de talvez mostrar a impressão ocasional no fotoclube local para um grupo de trágicos afins - que provavelmente é o mais longe possível.

Então a mídia social chegou e, como em tantos aspectos dessa moderna vida conectada, tudo mudou. Em artigo para o site DIYPhotography, o fotógrafo de paisagem Andy Hutchinson levanta algumas questões sobre a pratica fotográfica nessa nova era tecnológica.

O golpe de dopamina de um “like”

A maioria das pessoas gosta de mostrar seu trabalho duro. Somos encorajados a fazê-lo desde cedo. Desde o jardim de infância, quando nossas pinturas ficavam penduradas na parede e admiradas em reuniões de pais/professores de fim de período até o ensino médio, onde somos avaliados por nossas examinadoras sobre nossas habilidades artísticas; é um clima de produzir e ser elogiado. Então, enquanto (coisa boa) somos ensinados desde cedo a criar arte, ela fica amarrada (coisa ruim) com a necessidade de elogios e adulação.

Então, é claro, era natural que um sistema baseado inteiramente na popularidade manufaturada se encaixasse perfeitamente em nossa necessidade covarde de ser elogiado por nossos esforços artísticos. Desde o começo, era óbvio que a mídia social estava distorcendo o que significava criar. Desde os primórdios do MySpace, passando pela perturbação sísmica que foi o Facebook, até o gigante que é o Instagram - a fotografia mudou de passatempo perseguido por geeks educados com fetiches por bolsas e tripés para uma competição global por afeição virtual sem data para acabar.

Antes podíamos dar um tapinha nas costas por uma foto particularmente legal e talvez ter uma cópia feita para a parede da sala de estar, agora nos encontramos no encalço de uma audiência mundial de críticos devoradores de conteúdo. Mesmo o fotógrafo mais introvertido seria um mentiroso descarado se dissesse que não gostaria de ter cidadãos aleatórios da internet elogiando suas fotografias. Desfrutar de elogios por nossos esforços fotográficos é como mijar no chuveiro - há aqueles que admitem isso e há mentirosos. Podemos nos enganar dizendo que carregamos para a mídia social apenas para divulgar nosso trabalho e talvez ganhar alguns dólares com nossas imagens, mas sinceramente para todos, menos um por cento, é sobre aquele hit de dopamina de um 'like'. Todo mundo quer ser amado.

Tirando toda a diversão

Eu sou um fotógrafo de paisagens. Eu me interessei em outras áreas, como a fotografia da vida selvagem e a fotografia de rua, mas, na verdade, para mim, trata-se de preservar frações de segundo na natureza. Seja a forma como um nascer do sol dourado ilumina e muda a vista, ou a beleza acidentada de uma queda d'água ou, sim, uma árvore solitária clichê em uma encosta clichê - para mim é sobre ver e capturar e preservar esse momento.

O que eu notei, no entanto, é que, embora eu ainda goste de captar esses momentos de grandeza, os assuntos que fotografo foram sutilmente alterados com o tempo pelas reações que recebo nessas fotos online. Se eu tirar uma fotografia de uma cena em particular e ela conseguir um número decente de likes e compartilhamentos e comentários - então, é claro, eu vou estar mais inclinado (mesmo que seja subconsciente) a tirar fotos semelhantes. Todo mundo quer ser amado e todo mundo quer que sua arte seja apreciada e então, quando você bate em uma fórmula vencedora, você fica bem com ela. Ai de você se uma de suas fotografias se tornar viral porque você estará perseguindo aquela explosão de carma social por anos. Dê uma olhada nos feeds de fotógrafos de sucesso do Instagram e você notará que todas as suas fotografias têm um estilo muito reconhecível, tais como tons high-key ou pastel. A pergunta que você precisa fazer a si mesmo é se eles persistem com esse estilo porque gostam ou porque lhes dá gostos - um resultado é verdadeiro e tem valor e o outro é triste.

Quer estejamos conscientes disso ou não, no momento em que começamos a carregar nossa fotografia e compartilhá-la publicamente, estamos abandonando a pura busca de um hobby ou artesanato e entrando em uma competição global por amor na Internet e pontos de internet (sem sentido). A questão é: nós sugamos, fazemos upload de nossas imagens e nos deleitamos com a natureza suja e podre de tudo, ou nós, como alguns da milênio Vivian Maiers, apenas produzimos uma grande quantidade de trabalho para ser esquecidos para sempre ou descobertos e celebrados? quando estamos mortos e enterrados?

Horsehead Rock é sempre uma aposta segura para números de engajamento sólidos no Insta. O fato de ser um local incrível às vezes parece secundário a esse fato.


Repetir, repetir, repetir

Há ecos da globalização do comércio em toda a fotografia moderna. Assim como a rua principal de todas as cidades tem os mesmos nomes globalmente reconhecíveis, uma homogeneidade rastejante tomou conta das imagens que estamos produzindo. Em seu nível mais óbvio, isso é evidenciado pelos locais do Instafamous que aparecem de novo e de novo em nossos cronogramas de mídia social. Você pode nunca ter ido a Horseshoe Bend, Torres Del Paine, Trolltunga, Machu Picchu ou Gullfoss - mas eu aposto que você sabe os nomes e também aposto que todos esses cinco locais apareceram em seu feed no Instagram várias vezes esta semana. Esses lugares são bem pontuados nos algoritmos do Instagram e do Facebook, e as fotos deles chegam ao topo com mais frequência do que fotografias de lugares menos óbvios.

Não são apenas os locais descritos pelos fotógrafos que compartilham suas imagens nas mídias sociais, é o estilo, a composição, o enquadramento, a paleta de cores e o pós-processamento. A aparência onipresente de laranja e verde-azulado é usada por muitos fotógrafos para suas postagens de mídia social. Começou a vida na indústria cinematográfica há mais de uma década, mas foi pego por fotógrafos e aplicado a filmes fixos e de viagem. Hoje em dia é absolutamente em todos os lugares e eu tenho crescido a não gostar dele - especialmente quando é usado para criar uma imagem tão filtrada que parece uma impressão na parede de um edifício irradiado em Chernobyl. Mas essas imagens se saem bem e recebem muitos elogios dos comentaristas e, é claro, acumulam esses gostos, amores e votos positivos, então talvez seja só eu.

Fotografia como mercadoria

Muddying as águas da comunidade fotográfica global são os milhões de empresas que procuram fazer moeda a partir dele. Quer estejam promovendo acomodações de hóspedes e tentando atrair visitantes para ficar com eles, ou empresas de tripés lançando suas mercadorias para fotógrafos obcecados por equipamentos, as empresas têm visado fotógrafos há anos.

Até agora você provavelmente já viu as designações oficiais nos fotógrafos do Instagram. 'Canon Master', 'Team PolarPro', 'Team GoPro' todos designam que o fotógrafo em questão recebeu o selo de aprovação de uma empresa e obtém os ganhos gratuitos. Quem não quer graça grátis? Todo mundo quer ganhos grátis. Portanto, a competição está entre os influenciadores, os viajantes e o exército de aspirantes que adorariam um pacote de filtro de lentes gratuito e farão suas fotos parecerem um pouco como sopa de laranja e verde-azulada se for necessário para alcançar alguma forma de corporativo. acordo de patrocínio.
E depois há empregos que pagam diretamente. Exercer suficiente influência legítima sobre os sociais e as empresas vão pagar-lhe dinheiro real para ir a algum lugar e fotografar alguma coisa.

As boas fotografias saem de ofertas oficiais de patrocínio e de shows pagos? Claro - mas aquelas fotografias nunca teriam acontecido se alguém não tivesse sido pago para produzi-las e, se fossem produzidas por alguém que não estivesse sendo pago para produzi-las, talvez elas tivessem sido melhores. O que eu sei é que nada vai transformar um hobby em uma competição mais rápido do que a promessa de notas de dólar. Vocês.

O significado da vida

Em última análise, a grande questão que nós, fotógrafos, precisamos nos perguntar é isso - qual é o sentido disso tudo?

Que resultado vemos ao longe, quando penduramos nossas câmeras pela última vez? Qual objetivo estamos perseguindo? Existe realmente algum motivo real para tirarmos fotografias além do transitório abraço virtual de uma Internet? Se parássemos de jogar nossas fotos no vácuo da Internet, alguém perceberia ou se importaria? Você continuaria a tirar fotografias se não houvesse pontos de Internet disponíveis? O que, meus amigos, é o pagamento?

E além dessas questões, nosso trabalho seria melhor se optássemos por sair dessa competição global enlouquecedora? Poderíamos nós, nesta era moderna de compartilhamento excessivo, lidar com o conhecimento de que a única pessoa que veria uma determinada fotografia seria a pessoa que a pegou e possivelmente seu gato? Se a única saída para a sua paixão fotográfica fosse um quadro de dez dólares da loja de materiais de escritório e um lugar de destaque no seu quarto dos fundos - você ainda tiraria fotos? Hmmmm

Para conhecer mais sobre o trabalho de Andy, acesse seu siteFacebook ou Instagram.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O bebê elefante e a importância da fotografia como denúncia

novembro 20, 2017 | por Cid Costa Neto

Biplab Hazra/Sanctuary Wildlife Photography Awards

Recentemente, a fotografia de um filhote de elefante em chamas e sua mãe fugindo de uma multidão causou polêmica na internet. A triste imagem foi vencedora do concurso Sanctuary Wildlife Photography Awards 2017 e reflete uma realidade comum na Índia, mas que tem sido ignorada há muito tempo pelas autoridades. Após a publicação da foto, no entanto, muito dessa revolta pela situação retratada tem se voltado para o autor da fotografia. Algumas pessoas têm acusado o fotógrafo Biplab Hazra de se aproveitar de uma tragédia para se promover. Porém, é importante lembrarmos que sem essa imagem a grande maioria das pessoas sequer saberia da existência desse problema.

Ao denunciar um problema grave que acontece, o fotógrafo evidencia a questão e seu registro serve de documento para que as autoridades sejam cobradas. Neste momento, esse assunto está sendo discutido em todo mundo. A questão me lembrou de uma entrevista que realizei com João Marcos Rosa, fotógrafo da National Geographic Brasil, para a primeira edição impressa do Resumo Fotográfico: “Eu acredito naquela máxima de que ‘precisamos conhecer para preservar’. Se você não sabe que aquilo existe ou não tem ciência do risco de que uma espécie ou ambiente está sofrendo, você não está nem aí”, afirma João. “Então se esses assuntos não estivessem sendo trazidos à tona, principalmente por mídias independentes, talvez a gente não tivesse ciência”.

Um “bebê” de meia tonelada em chamas

Alguns questionam que Hazra deveria ter feito alguma coisa para ajudar os elefantes. Porém, temos que lembrar que não estamos falando de um filhote de cachorro que encontramos perdido por aí. Estamos falando de um animal selvagem que pode nascer pesando até 100kg. Em outras palavras, o tal “bebê” deve pesar cerca de meia tonelada e pode esmagar um humano adulto. O que dizer então de uma mãe elefante desesperada? Sem falar que temos ainda em cena uma multidão de pessoas jogando bolas flamejantes e fogos de artifício nos animais. Ou seja, qualquer pessoa que tiver sorte de chegar perto dos animais sem ser atingido, ainda terá que enfrentar a fúria de um animal que pesa cerca de quatro toneladas.

Outros questionam a qualidade estética da foto, pois não tem composição. Mas é importante frisar que não se trata aqui de uma fotografia ensaiada ou de um evento premeditado. Imagine você chegando a uma estrada com mato de ambos os lados e de repente é surpreendido por um elefante em chamas. São frações de segundo para disparar. Não existe tempo nem espaço para mudar de ângulo. A luz? É aquela mesma! Não tem como configurar flash ou esperar a hora mágica.

A premiação reflete não apenas a questão estética da imagem, mas aquilo que ela representa. O prêmio é uma tentativa de conscientização sobre o tratamento de elefantes no país. “Ao premiar a fotografia, queríamos aumentar a conscientização sobre a prática de violência contra elefantes em Bengala Ocidental e em outras partes do país”, disse Anirudh Nair, editor da Sanctuary Asia.

Repercussão

A fotografia de Hazra e sua história espalharam-se rapidamente e estampou os sites e jornais de todo o mundo. Segundo o jornal The New Indian Express, agora o departamento florestal recuperou seus sentidos e construiu trincheiras profundas ao longo do perímetro da selva, cercada com fio elétrico. Essa cerca eletrificada não os matará, mas é forte o suficiente para repeli-los.

É importante entendermos que a fotografia não serve apenas para mostrar aquilo que queremos ver. Ela tem o poder não apenas de mostrar a realidade, mas de transformá-la, através da reflexão que propõe diante de uma situação.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Por que a nitidez é superestimada

abril 05, 2017 | por Ligia

O fotógrafo Eric Kim publicou em seu blog um artigo onde descreve uma série de de argumentos que contrapõem a obsessão que alguns fotógrafos possuem em sempre buscar por imagens mais nítidas


"Nitidez é um conceito burguês" – Henri Cartier-Bresson

1. Lentes embaçadas têm mais alma

Lembro-me quando comecei com a fotografia digital, quanto mais nítida a foto, melhor.

Na realidade uma foto mais nítida não é necessariamente uma foto melhor. Frequentemente uma fotografia mais suave tem uma estética mais agradável, leve, terna e emotiva.



Por exemplo, gosto muito do trabalho de Junku Nishimura, que fotografa com uma câmera analógica 35 mm com uma lente 50 mm antiga F/2.8. As fotos são suaves e provocam um sentimento mais espectral e nostálgico. Suas fotos não teriam a mesma linguagem se ele utilizasse uma câmera digital de ponta com lentes super nítidas.

Além disso, a aparência mais suave do filme parece esteticamente mais agradável que as fotografias digitais excessivamente nítidas. Por isso tenho notado vários fotógrafos digitais retornando ao filme.

Normalmente as fotos digitais são a impressão de serem muito perfeitas. Muito nítidas. Clínicas, quase como se fossem cirúrgicas.

Por outro lado, a fotografia analógica dá a impressão de imperfeição – que por sua vez produz um sentimento de nostalgia e remete a algo lúdico.

Prefiro a nostalgia das fotos de filem que minha mãe tirava de mim quando criança a qualquer foto super nítida que tiro atualmente com meu smartphone.

2. A arte não se importa com a nitidez


Muitos de nós iniciamos na fotografia como nerds dos equipamentos ou geeks. Eu mesmo sempre fui obcecado por tecnologia. A fotografia foi um casamento perfeito entre este interesse por tecnologia e pela arte.

Então é claro que somos fascinados com a tecnologia por trás dos equipamentos fotográficos.

Em primeiro lugar, penso que o primeiro mal entendido da internet são os “testes de nitidez”. O grande problema é que a maioria de nós fotógrafos nerds viemos de alguma área científica, da engenharia ou da área de informática. Nós pensamos que é possível quantifica a qualidade de quanto uma foto é boa através de especificações técnicas como a nitidez ou a resolução das imagens.

3. A pintura é nítida?

A boa arte frequentemente não é nítida.

Vamos considerar os impressionistas. Eles não se preocupavam em fazer imagens perfeitas da realidade. No lugar disso, eles usavam pinceladas lúdicas e imperfeitas para evocar um estado de espírito, um sentimento.

Eles entendiam que a importância de uma imagem não estava em ela refletir ou não a realidade. A coisa mais relevante era se ela representava um estado de espírito ou uma visão de mundo.

4. Fotos embaçadas muitas vezes tem mais sentimento


Além disso, fotos fora de foco ou embaçadas, muitas vezes passam mais emoção e estado de espírito. Percebemos mais movimento em uma fotografia embaçada que em uma imagem perfeitamente nítida.

Muitas vezes o fora de foco é bom. Depende apenas da emoção que você quer provocar com a imagem.

5. Ninguém consegue de fato dizer a diferença na nitidez de sua lente em uma tela

Tenho fotografado com várias câmeras ao longo dos anos. Canon Powershot SD 600, Canon Rebel XT (350D), Canon 5D (original), Leica M9, Ricoh GR II, film Leica, etc. Também fotografei com a lente caríssima Leica Summicron f/2 ASPH (US$ 3.000) e com a Ricoh GR II (equivalente a 28 mm) com lente integrada.

Não consigo dizer a diferença entre qualquer uma de minhas fotos se tiradas com qual câmera e com que lente.

Só mesmo um nerd olharia para todas as suas fotos com 100% de resolução e com o pixel peep. Ou pior ainda, você conseguiria imaginar alguém indo à exposição de um fotógrafo e comentando quão nítidas ou não suas fotos são?

6. Você está fotografando um muro de tijolos?

Por favor, evite estes sites onde as pessoas fazem testes de nitidez em muros de tijolos. Você tem planos de fotografar muros pelo resto da sua vida ou prefere fotografar a essência dos seus temas?

7. Seu público irá ver suas fotos em smartphones?

Se você for fazer grandes impressões das suas fotos, tê-las super nítidas pode ser melhor.

Mas na realidade se você está apenas enviando suas fotos para as mídias sociais ou para o Instagram, 99% das pessoas irão vê-las em um smartphone com uma tela de 5 polegadas. Não será sequer possível dizer o quão nítida está a foto.

8. Invista em livros, não em equipamento

Ao invés de gastar fortunas em lentes, use seu dinheiro em livros com fotos inspiradoras, viajando, participando de workshops ou em algo educacional.

No lugar de gastar US$500 naquela nova lente, invista este dinheiro para uma viagem internacional. Ou compre ainda mais fotolivros.

Ao meu ver, educação e livros são sempre o melhor custo benefício. As experiências que você terá e os aprendizados estarão para sempre com você.

Uma lente é apenas uma lente e não irá melhorar sua fotografia.

Então na dúvida, compre livros, não equipamento.

9. Compre uma câmera com lente não intercambiável



Sou um grande fã de câmeras com lentes não intercambiáveis (como as Ricoh GR II, a Fujifilm X100T, ou a Fujifilm x70). Estas lentes não intercambiáveis são, de modo geral, compactas, finas, leves e muito nítidas. E, além disso, você não ficará estressado sobre qual lente utilizar ou não. Você terá apenas uma lente e estará preso a ela. Esta é uma restrição criativa que o obrigará a explorar ao máximo a criatividade.

10. Use qualquer câmera que você tenha

Para concluir, apenas use a câmera que você tem. Se sua câmera tem uma lente muito embaçada ou não nítida, use isto como uma vantagem.

Em geral eu acho que as fotos monocromáticas tendem a ser mais esteticamente agradáveis que as coloridas quando desfocadas. Mas há fotógrafos como Tod Hido que fazem fotos coloridas desfocadas muito bonitas.

Evite os sites de reviews de equipamentos, testes de nitidez e todos estes lugares nerds. Fique satisfeito com o equipamento que você já possui e lembre-se do real significado da fotografia: dar significado à vida, não apenas tirar fotos.

Fonte: Eric Kim Photography

domingo, 20 de novembro de 2016

O racismo institucional e a representatividade na fotografia

novembro 20, 2016 | por Cid Costa Neto

Recentemente, assisti e compartilhei na página do Resumo Fotográfico no Facebook, um vídeo de uma campanha contra o racismo, desenvolvida pelo Governo do Estado do Paraná. No vídeo intitulado "Teste de Imagem", dois grupos de profissionais de RH são questionados a respeito de uma série de fotografias que mostram pessoas exercendo diversas atividades. Para o primeiro grupo, são apresentadas imagens de pessoas brancas. Para o segundo grupo, são apresentadas imagens semelhantes, porém, protagonizadas por pessoas negras. Na segunda situação, as interpretações foram sempre de que os personagens estariam está exercendo alguma atividade em uma posição subalterna ou que fosse de alguma forma pejorativa.

Reprodução
As respostas à foto com a mulher branca foram a de que ela seria uma "designer de moda" ou "compradora", enquando à imagem com a mulher negra, "vendedora" ou "costureira".

Esse vídeo me lembrou bastante uma história particular que vivenciei enquanto trabalhava como fotógrafo e programador visual em uma agência de comunicação de Belo Horizonte, há pouco mais de um ano. Recebi o briefing para a criação de um anuncio de uma academia. Como não existia orçamento para a realização de fotos no local, acabei recorrendo a um banco de imagens. Escolhi a foto de uma moça em uma bicicleta ergométrica. Feita a diagramação, repassei a arte para o editor. Pouco tempo depois ele retornou meu email informando que eu deveria procurar outra fotografia. Questionei o porque da reprovação. Ele me respondeu dizendo que o cliente poderia não gostar de uma modelo negra e que por esse motivo, preferia evitar qualquer problema.

Um dos grandes desafios ao trabalhar com banco de imagens é encontrar uma foto que realmente represente o público brasileiro. A maior parte da sua oferta é produzida para um mercado europeu e encontramos poucas imagens que representem negros ou pardos. Felizmente, esse quadro tem mudado em relação a produção de imagens, porém, falta ainda mudar o pensamento de alguns profissionais responsáveis pelas campanhas que vemos no dia a dia. Segundo o IBGE, os negros (e pardos) representam 53,6% da população brasileira, mas ao vermos um anúncio, percebemos que essa representação é completamente diferente, com a ausência de personagens negros ou sendo sempre uma minoria.

Vivemos hoje na era da imagem. Os meios de comunicação funcionam como elo entre uma pessoa e outra. Nesse sentido, a fotografia digital ganha um grande poder no papel de formar e transformar a percepção que as pessoas têm do mundo. A fim de debater sobre a falta de representatividade dos negros no universo artístico e a importância dessa mídia na formação de uma sociedade que saiba respeitar e entender a diversidade em que vivemos, a dupla de atores Noemia Oliveira e Orlando Caldeira criou uma série fotográfica intitulada "Identidade", que apresenta pessoas negras interpretando personagens como Mulher Maravilha, Marilyn Monroe e Super Homem. "Deveria ser normal um ator negro fazer qualquer personagem", diz Noemia.

Muita gente não percebe, mas o Racismo Institucional se manifesta através de práticas e comportamentos discriminatórios que fazem com que muitas pessoa sejam privadas de oportunidades profissionais, culturais e sociais diariamente. Segundo informações divulgadas no vídeo do Governo do Paraná, 82,6% dos negros afirmam que a cor da pele influencia na vida profissional. Os negros ganham 37% a menos que os brancos e ocupam apenas 18% dos cargos de liderança. Além do vídeo, a campanha conta com um site (www.contraracismo.pr.gov.br) que traz mais informações e dados sobre o racismo institucional.

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quarta-feira, 20 de julho de 2016

O futuro do fotojornalismo sem o meio impresso tradicional

julho 20, 2016 | por Alan Marques

Qual é o futuro do fotojornalismo sem o meio impresso tradicional? A resposta está na Rev. Nacional, de J.R.Duran. É uma publicação feita por um fotógrafo e pensada imageticamente para ser informação visual nutritiva para degustação calma e sem a pressa tão característica desse nosso mundo excitado pela internet e pelos onipresentes mobiles.

A ideia para este artigo surgiu ao ler a publicação de Duran e no devaneio, ao tocar com os dedos e com os olhos, diante a beleza estética de uma composição de diagramação, fotografia, textos, impressão e encadernação de um vigor emocionante. Por que digo que a resposta está nessa revista? Primeiro pela qualidade impressionante e pelo posicionamento do Duran em fazer e publicar seu trabalho com a garra que todos nós temos que ter. Alguém pode dizer: “Mas é o Duran!”. Temos que nos inspirar nos exemplos firmes como o dele.

Vou colocar aqui exemplos, para mim, do que é o futuro (melhor começar a construí-lo no presente) do fotojornalismo impresso como os livros Poder, Glória e Solidão, de Orlando Brito, Canudos - 100 anos, de Evandro Teixeira, Na Lona, de Rogério Reis, Vencedores, de Sergio Dutti, Brasília Submersa, de Beto Barata e tantos outros que não se contentam com o limite editorial dos jornais e revistas tradicionais. Talvez, o artigo fique mais claro com uma afirmação direta: temos que cuidar da nossa própria produção e publicação.

Quando falo isso, não estou me referindo àquela foto publicada em rede social, onde um círculo restrito de “Likes” pode nos dar a falsa impressão de divulsão. Aqui quero apresentar o exemplo de Duran com a emancipação do fotojornalista e a condensação de seu potencial artístico em uma publicação de caráter independente. O futuro do fotojornalismo está no fotógrafo. Ele é a razão da imagem estar fixada na fração do segundo e eternizada em momento noticioso e/ ou mundano.

O próximo passo dessa emancipação da imprensa convencional, como meio de divulgação do seu trabalho, é produzir e publicar a própria visão e projetos próprios. O futuro do fotógrafo é entender que ele é uma marca e precisa se posicionar como tal. Como me confidenciou Duran, sobre a existência de sua revista: “eu decidi me dar de presente um jardim secreto, de tinta e papel, onde pudesse me divertir à vontade”.
Edição 7 da Rev. Nacional, lançada neste ano

Rev. Nacional

Em Maio, J.R. Duran lançou na Galeria de Babel, durante a SP-Arte, a sétima edição da Rev. Nacional. Criada pelo fotógrafo em 2010, a publicação anual não é comercializada e é entregue a uma seleção de personalidades do universo cultural e da moda. Para a edição deste ano, as fotos de Duran acompanham matérias envolvendo personagens diversos como Alexandre Pato, Joaquim Barbosa, Juliana Paes e Zeca Pagodinho.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A inscrição é gratuita, mas se ganhar... vai ter que pagar!

junho 19, 2015 | por Cid Costa Neto

Na última semana, compartilhamos na nossa página do Facebook uma postagem da Editora Photos a respeito do “Concurso Nacional Novos Fotógrafos”, organizado pela Vivara Editora.

A princípio, parecia ser uma ótima oportunidade para novos fotógrafos interessados em divulgar seus trabalhos. Nos dias seguintes no entanto, fomos alertados por alguns leitores de que uma das clausulas do regulamento impõe que os vencedores comprem 10 dos livros publicados pela editora! Em outras palavras, qualquer pessoa pode participar gratuitamente, mas os vencedores terão que pagar.

Diante desta questão, vale a pena refletir sobre até onde esse concurso serve para premiar uma obra fotográfica e quando passa a ser uma oportunidade de venda de livros para seus organizadores. O assunto gerou polêmica e, após diversas reclamações na página do Portal Photos, a publicação sobre o concurso acabou sendo retirada do ar.

Nós entramos em contato com a organização através do e-mail disponibilizado no site do concurso e a resposta não poderia ser mais genérica. Segundo representante da Vivara Editora, “o edital foi idealizado para o bom funcionamento do certame, envolvendo publicação e distribuição da obra. Os valores previstos em edital são os necessários para a publicação e envio de uma obra desta natureza.”

Fica aí a pergunta para os pretensos participantes: Vale a pena entrar em um concurso em que quem paga o "prêmio" é você?

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Talento Off, direitos off

setembro 08, 2014 | por Cid Costa Neto

Canal promove "desafio" para selecionar material para o seu acervo, sem premiação e com cessão total de direitos autorais, morais e patrimoniais. 

O Canal OFF, canal de TV por assinatura da Globosat, lançou recentemente um "desafio" para fotógrafos e produtores de vídeos.

Pensando se tratar de uma boa oportunidade para amadores ou profissionais em início de carreira, acabei divulgando o concurso intitulado "Talento Off" na página do Resumo no Facebook. Poucos minutos depois fui alertado por uma leitora sobre uma cláusula no regulamento original (modificado posteriormente) que seria abusiva e resolvi conferir.

De acordo com o item 1.3: "Não haverá remuneração, pagamento ou qualquer espécie de premiação aos participantes, sendo certo que esta ação se destina tão somente a incentivar a troca de ideias, informações e opiniões, através da exposição do material no Canal Off, de novos e emergentes talentos."

Até aí, nenhum problema, visto que é comum a criação de concursos e outros meios gratuitos para a publicação de obras com fins artísticos e culturais. A coisa começa a fica estranha quando chegamos ao item 1.9 que de tão extenso ocupa mais de uma lauda - metade do regulamento inteiro - onde são descritas as diferentes modalidades em que o trabalho do participante poderá ser comercializado sem que seja pago um tostão por isso.

O item já começa com a questionável cessão de direitos, que "transferem, em caráter exclusivo e universal, à Globosat (i) todos os direitos autorais decorrentes de seus vídeos/imagens e atividades a ela relacionadas, abrangendo quaisquer criações concebidas durante a realização/exibição destes".

Isso significa que os participantes não serão mais donos do seus trabalhos. Não poderão divulgá-los e muito menos vendê-los se assim quiserem, sem autorização da Globosat. Ou seja, além de perderem os direitos sobre suas obras, a recompensa dos participantes seria então o privilégio de verem os seus trabalhos fazerem "parte do acervo do Canal OFF, sendo utilizados em vinhetas durante a programação e em campanhas publicitárias."

Resumindo, ou melhor, traduzindo: Trabalhe para produzir material gráfico para o canal sem ganhar um único tostão e não seja reconhecido por isso. É concurso ou banco de imagens?

Tentei entrar em contato com o canal através da página do Facebook e do site e não tive qualquer resposta. Neste sábado, um novo regulamento estava no ar com um novo item (1.10) informando que "a Globosat se compromete a informar todos os créditos relativos aos vídeos/imagens enviadas".

Veja abaixo a publicação feita pelo canal no Facebook:

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Nikon Df por um fã da Nikon

novembro 07, 2013 | por J.Goffredo

Até semanas atrás, era sabido que a Nikon deveria lançar uma nova câmera antes do final do ano. Repentinamente começaram a surgir boatos, e o site Nikon Rumors começou a ferver. O primeiro rumor mais concreto foi em 20 de outubro. Daí em diante foi uma crescente de rumores, informações e até contrainformações que durou 2 semanas, até que chegaram os vídeos de lançamento da Nikon Df, anunciada oficialmente na última terça-feira (5).

No dia 23 de outubro vem a confirmação, sem detalhes, e só dando o clima. A Nikon lança o vídeo "Nikon - Pure Photography", primeiro de uma campanha de pré-lançamento. No dia 25 foi lançado o segundo vídeo. No dia 27 o terceiro, no qual mostra o cuidado limpando a lente, coisa que quem cuida e gosta da câmera faz. No dia 29 o quarto filme. No dia 31 o quinto filme. E no dia 2 de novembro o sexto e último filme, o mais longo deles. Cada vídeo mostrava um pouco mais da câmera, aumentando a expectativa.

Os vídeos mostram um fotógrafo solitário, que ama fotografar, em paisagens belíssimas. Andando e fotografando sem pressa, sem perturbações, por puro amor à fotografia e ao ato de fotografar, e com uma relação muito íntima com a câmera. Ele a segura junto ao corpo, com as duas mãos em vários momentos, e trás ao rosto para fazer a foto. Quem entender a narração (está em inglês), feita como se fossem os pensamentos do fotógrafo, sentirá mais ainda isto. São muito bem produzidos, pensados, executados etc. Cada detalhe parece fazer parte da mensagem.

Foi uma das melhores, mais intensas campanhas de lançamento que já vi, e acredito que até os boatos fizeram parte dela, e também um dos segredos mais bem guardados até a hora certa. Primeiro soltam um vazamento, criando uma "pré-expectativa"... Depois soltam outro... Depois o primeiro vídeo... e depois um vídeo novo a cada 2 dias, crescendo esta expectativa... deixando o gostinho de quero mais... até que é feito o anúncio oficial. Talvez venha ser a câmera retrô de maior sucesso no mercado.

A quem esta câmera se destina? Acredito que ela se destina, especialmente reforçado pelos vídeos de pré-lançamento, aos verdadeiros amantes da fotografia, aos que gostam de fotografar, saborear a cena e o momento de fotografar. Se você é leigo, não sabe muito de fotografia, nem pense em comprá-la, pois outras lhe atenderão melhor.

O design desta câmera lembra muito as câmeras mecânicas da década de 70, especialmente a Nikon F2, lançada em 1971, e suas contemporâneas. Quem gosta de câmeras mecânicas, possivelmente se sentirá em casa. Ter produzido estas câmeras históricas (Nikon F, F2, FM2 etc) dá mais autoridade para a Nikon produzir uma câmera retrô. Outra coisa para aumentar esta autoridade é a compatibilidade de lentes. A Nikon tem uma grande compatibilidade de lentes, mesmo que em alguns casos seja limitada, por exemplo, a Nikon D90 pode usar uma lente concebida para câmeras mecânicas, mas o fotômetro não funciona (Detalhes de um caso aqui). A Nikon Df foi concebida para usar da melhor maneira possível todas, ou quase todas, as lentes baioneta F produzidas, inclusive as da década de 70 e anteriores, com o fotômetro funcionando. Isto é muito bom para um amante e colecionador de câmeras antigas.

Outro detalhe interessante, talvez esta seja a única câmera lançada em anos que aceita cabo de disparo mecânico (com mola), um acessório muito comum até alguns anos atrás.

A Nikon D3 foi a primeira full frame da Nikon, e algum tempo depois ela lançou a D700, que era uma câmera robusta, porém menor, com menos recursos, mais barata, mais leve etc, mas usando o mesmo sensor da D3. Muitos fotógrafos optaram pela D700, por causa do preço e do peso. Atualmente a Nikon tem a D4 para o mesmo nicho de mercado da D3, mas, ao invés de lançar uma câmera para o nicho da D700, resolveu inovar, usando o mesmo sensor da D4 para uma câmera retrô, com um estilo diferente. Mas acredito que, muitos que querem a capacidade de fotografia noturna da D4, mas não queira gastar tanto, ou ter uma câmera tão pesada etc, vão comprar a Df. Neste caso podem sentir uma grande diferença de uso, pois a Df não foi concebida para ser uma D4 mais leve e barata, e sim, ela é para outro nicho.

A Nikon colocou em seu site, na descrição da câmera, a seguinte frase: "This is Nikon's proposal to passionate photographers: rediscover the fulfillment of measured, deliberate photography, and create your pictures one frame at a time." A tradução aproximada é: "Esta é a proposta da Nikon para fotógrafos apaixonados: Redescobrir a satisfação de uma fotografia intencional, avaliada, pensada, e crie suas imagens uma de cada vez." Isto, e mais os vídeos, mostra que esta câmera não é para profissionais, não é para trabalho, não é para leigos, e sim, ela é para o mais alto nível de apaixonados pela fotografia, para os amantes da arte de fotografar, para grandes amadores, para os que saboreiam fotografar.

Fontes: Nikon, Nikon Rumors, Youtube

terça-feira, 21 de maio de 2013

A Censura do Pinterest

maio 21, 2013 | por Cid Costa Neto

Rede social remove imagens com nudez e recebe críticas de seus usuários

Fotografia de Gabriele Rigon removida pelo Pinterest.
Quando descobri o Pinterest - uma rede social que permite colecionar e compartilhar (ou não) diversos tipos de imagens, seja de outros sites ou próprias - pensei que seria uma maneira de ampliar e manter em ordem minha iconografia, sem precisar de copiar imagens para meu HD.

Infelizmente, depois de pouco tempo de uso, passou a chegar frequentemente em meu e-mail a mensagem: "Removemos um de seus pins no Pinterest". Isso porque entre os meus pins, a grande maioria é de fotografias de nu artístico. Uma vertente a qual sou admirador e adepto desde a época de habilitação em fotografia na faculdade de artes plásticas.

Segundo a equipe da rede social, a remoção das imagens acontece porque muitas pessoas utilizam o site no trabalho e junto com suas famílias. Segundo a política de uso aceitável do site, nenhum tipo de nudez é aceita e, além de deletar a imagem, me convidam a remover outras fotos que possam ser semelhantes.

Muitas pessoas sequer leêm a política dos sites que utilizam, mas seja por que não leram ou porque resolveram simplesmente ignorar essa questão, o fato é que o Pinterest está cheio de usuários que possuem painéis com  fotografias de nu, sendo a grande maioria - até onde pude ver - trabalhos de arte. Na minha lista, inclusive, foram deletadas fotos de de artistas como a dupla Mert Alas e Marcus Piggott, Imogen Cunningham, Jan Scholz, Gabriele Rigone, entre outros. A grande irônia é que na semana passada, o próprio Pinterest me enviou uma sugestão de foto de nu, através do seu e-mail semanal.

No mês passado, o comunicólogo, diretor de jornalismo e escritor Adriano Silva, publicou em seu blog, Manual de Ingenuidades, uma carta que ele enviou ao Pinterest, a respeito dessa censura, após ter uma foto de um de seus painéis deletada. Segundo ele, a política sobre nudez da rede social é "absolutamente arcaica, obsoleta, conservadora, antiliberal, não democrática e tendenciosa".

"Eu gostaria de concordar com a sua política sobre conteúdo 'nocivo'. No entanto, 'nocivo' é um conceito muito subjetivo. As imagens que você rudemente excluiu de um dos meus paineis, ultimamente, sem a minha autorização, representam beleza para mim. Elas me inspiram. Elas fazem o meu dia melhor. Elas deleitam meus olhos e meus sentidos. Eles derramam uma luz boa sobre a minha vida – incluindo a minha saudável vida sexual."

Adriano acrescenta ainda que a imagem deletada se encontrava em um painél bloqueado, que só ele podia acessar e afirma que mesmo que estivessem em um painel aberto, bastaria que a pessoa que não está de acordo com a nudez, deixe de seguí-lo. Leia a carta na integra.

Muitos outros usuários, insatisfeitos, criaram painéis dedicados a denunciar a censura da rede social, intituladas "Censored" ou "Erased by Pinterest", onde são colecionadas imagens removidas e outras que reprovam a censura. Com uma visão muito parecida com a do Adriano, onde vejo na nudez um simbolo de sinceridade, que está fortemente ligada a minha sexualidade e, por consequência, inspiração e criatividade, resolvi criar também um painél com as fotos removidas pelo Pinterest, como uma forma de me manifestar contra essa censura.

segunda-feira, 11 de março de 2013

A polêmica da revista Viva! Mais

março 11, 2013 | por Cid Costa Neto

Na semana passada, uma grande polêmica em torno do aprendizado da fotografia agitou a comunidade fotográfica. Na chamada na capa da revista Viva! Mais de Março: "VIRE FOTÓGRAFA EM 1 DIA e ganhe até R$ 4 mil por mês".

  
Capa da edição de Março da revista Viva! Mais e a matéria publicada ao lado.

A grande maioria dos fotógrafos são profissionais apaixonados, que dedicam a vida ao que fazem. Investem muito dinheiro e tempo, abrem mão de estar com a familia e arriscam até a própria vida no trabalho. Por isso, quando surge uma publicação informando que é possível fazer isso em um dia, é logo tratada como uma grande afronta, que desvaloriza o trabalho do profissional, uma completa falta de respeito.

Não é preciso dizer que diversos fotógrafos ficaram indignados. Várias pessoas manifestaram-se através da página da revista no Facebook, cada uma a sua maneira. Alguns mais exaltados, outros mais comedidos. Um leitor chegou inclusive a citar uma grande ironia: a mesma editora da revista (Abril) é responsável também por um cobiçado curso de fotografia oferecido anualmente pelo Curso Abril de Jornalismo.

Não bastasse o desrespeito a toda uma classe de profissionais, a matéria deturpa as palavras do fotógrafo entrevistado Leandro Neves.

De acordo com a matéria:

[...] já no início da carreira, dá para ganhar R$4 mil por mês. “Com seis meses de atuação você faz, em média, dois trabalhos por semana cobrando R$500 cada um”, diz Leandro Neves, fotógrafo de São Paulo.

A realidade, no entando, é outra. Leandro postou em seu blog o screenshot do e-mail trocado com o responsável pela matéria Fernando Gazzaneo:


Esse assunto, embora tenha indignado a maioria dos profissionais, parece ter dividido algumas opiniões. O fotógrafo e blogueiro Gilson Lorenti, em seu texto publicado no MeioBit, minimiza a polêmica ao dizer que, tratando-se de uma publicação pouco prestigiada - referindo-se a mesma como sendo a "maior marmelada" - logo seria esquecida e não causaria nenhum impacto no mercado.

Seja "marmelada" ou não, qualquer mídia deve ter responsabilidade sobre a informação que divulga para a população, pois muitas pessoas podem ser enganadas por ela. O fato de termos outras publicações parecidas sobre outros assuntos, não torna essa questão mais aceitável ou menos problemática.

A depreciação da profissão do fotógrafo está acontecendo não por eventos isolados. Ignorar uma publicação como essa vai sim contra os movimentos que lutam pela regulamentação e apreciação da profissão, mas não se trata apenas do impacto causado pela revista, que - concordo com o Gilson nessa parte - não vai prejudicar o mercado sozinha. Trata-se na realidade de uma atitude anti-ética que não deve ser deixada de lado.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Você tem medo da crítica?

janeiro 18, 2013 | por Cid Costa Neto

"O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a sermos salvos pela crítica." - Norman Vincent.

Foto: SXC
Os fotógrafos, assim como muitos profissionais que trabalham com a criatividade, depositam em suas obras não apenas os seus conhecimentos técnicos, mas também muitos sentimentos. Por terem essa relação tão intima com seus trabalhos, é muito comum que alguns sintam-se atacados pessoalmente quando recebem uma crítica sobre suas fotos. Muitas vezes, recusam-se a refletir sobre elas e tentam rebatê-las da pior maneira possível: querendo diminuir o trabalho do crítico, como se a sua competência em realizar devesse ser obrigatoriamente a mesma em perceber. Mas, sendo assim, deveríamos, ser obrigados a engolir qualquer prato de comida sem o direito de criticar e opinar, caso não tenhamos conhecimentos culinários?

Ao publicar algumas fotos nas redes sociais, é comum que fotógrafos recebam diversos elogios, os quais, na maioria das vezes, não representam na verdade uma qualificação da obra, mas sim uma demonstração de apreço pessoal para com o autor. Ou seja, quanto mais popular a pessoa, maior será o número de comentários do tipo: "que lindo", "maravilhoso", "perfeito", etc... Nada contra os elogios, eles são sempre bem vindos. Mas muitas vezes são apenas gentilezas oriundas de leigos e não servem para medir a qualidade de um trabalho de forma objetiva e muito menos proporcionar uma reflexão construtiva a respeito do mesmo.

Vivemos em um universo selecionado, onde é possível escolhemos o que ouvir (ou ler) criando uma redoma em torno de nós mesmos. Eu mesmo já fui bloqueado do Facebook, por criticar uma atitude de uma colega fotógrafa. Da mesma forma, conheço outras pessoas que foram expulsos de grupos por fazerem o mesmo. Em nenhum dos casos as criticas foram desrespeitosas ou direcionadas de forma a prejudicar a pessoa, mas aparentemente, o ego tomou as dores.

Recebendo e reconhecendo a crítica

Para saber receber uma crítica é importante, antes de tudo, não ignorá-la. Se você considera a crítica uma atitude arrogante ou indelicada, ignorar (ou bloquear) a pessoa, não será mais digno. Tenha paciência para entender o que a pessoa quis dizer com a sua colocação e tente interpretá-la.
A crítica sobre um trabalho deve ir muito além do gosto pessoal. Comentários como: "não gostei", "achei feio", "não gosto dessa cor", etc, não dizem nada a respeito da obra em si, mas sim sobre quem está criticando. São apenas opiniões baseadas no gosto de quem vê. Algo meramente subjetivo. Como não existe em uma obra a intenção de agradar a todos - mesmo porque seria impossível - esse tipo de posicionamento não chega a ser de fato uma crítica, mas apenas uma expressão pessoal de quem está fruindo da imagem.

Comentários sarcásticos ou ainda ofensivos, também não devem ser, de forma alguma, considerados uma crítica. Como já comentei, essa é uma área onde existe muito ego envolvido e por vezes eles entram em conflito. Ou seja, em muitas ocasiões, a motivação do seu "crítico" vem  de um sentimento de competitividade ou pura inveja, tentando diminuir seu trabalho.

É importante saber diferenciar as duas coisas, para não levar para o lado pessoal uma critica que pode ajudar a refletir sobre seu trabalho ou ainda, para não perder a motivação por receber um comentário cujo único interesse é depreciar sua obra.

A crítica genuína é feita quando o autor (da crítica) tenta se concentrar em aspectos objetivos da percepção, geralmente respaldado por estudos teóricos (mesmo quando não citados) que proporcionam aos leitores da obra e ao autor uma reflexão a respeito do que é visto e do meio em que está inserido. Embora o crítico seja um apaixonado pela arte, é desejável que sua avaliação seja analítica.

Rebatendo a crítica

Mesmo que muito bem gabaritados, os críticos não têm sempre razão. Por mais pertinentes e objetivos que sejam na maioria de seus comentários, algumas vezes não conseguem escapar de algumas influências, sejam pessoais ou externas. Como suas interpretações estão relacionadas - além dos conhecimentos histórico, conceitual e técnico - também à parte sensorial da percepção da imagem, não é impossível que sua sensibilidade possa se alterar em determinados momentos. Da mesma forma, pode ser influenciado por determinados conceitos de outros críticos ou mesmo de outros trabalhos.

Nesse momento, é importante que o artista tenha consciência do seu trabalho e, após avaliar a crítica recebida, ponderar se é ou não relevante, reconhecendo-a ou assumindo sua obra como é.

O crítico A. D. Coleman [centro da foto] durante a abertura do New York Photo Festival em 2012. (Reprodução/Demotix)

Se você não tem medo da crítica, pode experimentar postar suas fotos em alguns grupos do Flickr destinados a isso, como o "Aprimorando através da critica fotográfica", que dá continuidade ao inativo "Crítica Fotográfica", assumindo sua finalidade de "ser um espaço sério para receber e fazer críticas compromissadas e construtivas em fotografias".

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

As verdadeiras ferramentas do fotógrafo

janeiro 11, 2013 | por Cid Costa Neto

Loredana Bejerita
Costumo dizer que as verdadeiras ferramentas do fotógrafo não são a câmera e a lente, mas sim seus olhos. Aprenda a ver e estará apto a fazer boas fotos. Não basta apenas aprender a técnica. Essa é a parte fácil (embora alguns apresentem certa resistência a isso). Para aprender a olhar, sugiro que se faça uma pesquisa iconografica sobre os diversos tipos de fotografia e observe nelas as composições e iluminação utilizadas.

No início a cópia é natural. Afinal de contas, todo ser humano, desde que é ainda um bebê, aprende através da mimesis. Não sinta vergonha disso, mas tenha consciência de que se trata apenas de um aprendizado. Quando tiver consolidado seus próprios conceitos e adquirido conhecimentos técnicos suficientes, terá de largar as muletas e criar sozinho.

Saiba receber criticas e saiba criticar a sí próprio. Se você tem desejo de alcançar um certo nível de refinamento, não se contente com menos. Questione-se: "Porque não ficou tão bom quanto eu gostaria? Como posso melhorar?". Crie paralelos entre o seu trabalho e aquela obra que admira, procurando criar um senso crítico em relação ao próprio trabalho. Mas saiba reconhecer também o seu acerto, mesmo que seja um pequeno passo. Pois ao fim de uma longa jornada, cada pequeno passo tem sua importância.

Texto publicado originalmente em Outubro de 2010 no meu blog pessoal
e republicado na edição número 6 da revista FVC, em Fevereiro de 2012.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Nikon exagerou?

abril 20, 2012 | por J.Goffredo

Nikon D800 / Divulgação
A Nikon lançou recentemente duas grandes câmeras: a D4 e a D800. Elas estão dando o que falar e eu me pergunto: "Será que a Nikon exagerou com a D800?"

No início muita gente criticou falando que a imagem da D800 devia ser ruim ou muito ruim, pois tinha uma densidade muito alta de pixels, mas uma das primeiras coisas que pensei é que ela deveria ser, no mínimo, comparável com a D7000, que tem uma qualidade de imagem muito boa, pois ambas têm quase a mesma densidade.

Eu acreditava que seria melhor que a D7000, pois foi criada depois, podendo se beneficiar de algumas melhorias tecnológicas, e a densidade de pixels era um pouco menor. Todas as opiniões de quem pode usar uma são de excelente para cima, portanto eu tinha razão.

A D800 é a câmera com a maior faixa dinâmica no mercado, superando a Nikon D3x, que reinou por um bom tempo e as outras poucas que superaram a D3x, como a D7000. O novo modelo possui uma das melhores relações sinal/ruído atualmente, perdendo somente para a D3s e a D4 para ISOs altos, e não por muito, segundo os testes do DXOMark, que determinam as classificações de qualidade de imagem da industria de câmeras e lentes. Ela venceu a D700 e a D3. Em um teste fotografando em 36 Mp e reduzindo a resolução para 12 Mp, ela chegou a vencer a D3s, segundo comparação feita por Cary Jordan.

Nikon D800 x D3s x D7000 por Cary Jordan / Nikon Rumors


Com muitos recursos de gravação de vídeo, alta resolução e preço competitivo com a Canon 5D Mk II, de certa forma ela é uma "Canon 5D Mk II killer". E pelos resultados da Canon 5D Mk III no DXOMark, a D800 também parece ser uma "Canon 5D Mk III killer"

A D800 tem 36 Mp, 50% a mais que a Nikon D3x, que foi por um bom tempo a SLR Full Frame da maior resolução. Ela tem resolução bem próxima da maioria das câmeras de médio formato, que é na ordem de 40 Mp (37 a 41 Mp). Tem uma quantidade enorme de acessórios, lentes etc, sendo que as  lentes são mais baratas, mais leves etc. Com o preço de uma câmera de médio formato barata (Pentax 645d, cerca de 10 mil dólares só o corpo), dá para comprar uma D800 e um bom conjunto de lentes. Tem maior sensibilidade e faixa dinâmica do que todas as câmeras de médio formato atualmente no mercado. Segundo o DXOMark ela só perde em profundidade de cor para duas médio formato, que tem digitalizadores de 16 bits, superando muitas outras que também usam digitalizadores de 16 bits (O digitalizador dela é de 14 bits.).

Assim a Nikon entrou no mercado das médio formato sem lançar uma câmera médio formato. Talvez a D800 seja uma "médio formato killer". O que talvez salve um pouco as médio formato seja a dúvida se muitas das lentes responderão bem a toda esta resolução. E tudo isto por apenas 3 mil dólares.

Alguém mais tem dúvidas que a Nikon lançou uma câmera à frente do seu tempo? Que a Nikon exagerou?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Discriminação por gênero na fotografia

janeiro 05, 2012 | por Cid Costa Neto


Durante muito tempo, a maior parte das profissões foi executada exclusivamente por homens. Após um longo período de mudanças sociais as mulheres conquistaram o mercado de trabalho em várias áreas e não haveria de ser diferente com a fotografia.

É sabido que as mulheres - esposas e filhas de fotógrafos - já realizavam serviços de laboratório, acabamento e fotopintura desde o início do século XX. Gioconda Rizzo foi a primeira mulher a ter a autoria de seus trabalhos reconhecida no Brasil. Filha do fotógrafo italiano Michelle Rizzo, aos 17 anos montou seu estúdio próprio, o Photo Femina.

Embora as mulheres fossem inferiorizadas pelo Código Civil Brasileiro de 1916, assim como Gioconda, outras mulheres também destacaram-se na fotografia brasileira e hoje em dia elas são presentes nos cursos de igual para com os homens ou até mesmo em maior número. As grandes fotógrafas que surgiram de lá pra cá não deixam dúvida de suas capacidades técnicas e criativas nessa área.

Fotojornalista na Espanha
Foto: Geoffrey Stemp / Stock.xchng
Mas apesar de conquistarem seu espaço no mercado, segundo artigo publicado no blog Sitio da Mulher ainda existe um grande preconceito contra as mulheres dentro da fotografia profissional, afirmando que por esse motivo, a maior parte do Fotógrafos de Casamentos seriam homens.

Algum tempo atrás, no entanto, quando liguei para uma empresa de fotografia que oferecia vaga para o cargo de fotógrafo, tive uma surpresa. Fui informado, ao ser atendido, que a empresa contratava apenas mulheres. Em outra oportunidade, no início do mês passado, o blog de uma escola de fotografia de São Paulo anunciava uma vaga em estúdio para fotógrafa.

Intrigado, comecei a pesquisar pela internet e descobri que esse tipo de anúncio não é tão incomum. Além dos casos já citados, encontrei pelo menos mais cinco ofertas exclusivas para mulheres.

Em um dos casos, a anunciante alegou que isso seria uma forma de tentar corrigir o preconceito que as mulheres sofrem, abrindo portanto, maior espaço a elas no mercado.

Embora a Lei nº 9.029, de 13 de abril de 1995 proíba a discriminação por motivo de sexo para contratar alguém, a grande maioria das pessoas ignora esse fato, procurando restringir à contratação de mulheres por diferentes razões, no sentido oposto ao preconceito que as mulheres sofreram historicamente.

Na postagem “Mulheres Fotógrafas”, do blog Entrelinhas, Adriana Bueno entrevistou três fotógrafas profissionais da área do registro social e uma delas chegou a dizer que “a maioria das pessoas prefere ser fotografadas por mulheres, por ficarem mais a vontade, descontraídas, conversarem, rirem” enquanto outra admite que essas qualidades podem variar de pessoa pra pessoa, mas “acredita que as pessoas preferem mulheres, principalmente com criança, porque a mulher tem mais paciência, mais jeito de conversar”.

Mas afinal de contas, existe mesmo um desempenho melhor relacionado ao gênero sexual do profissional de acordo com o tipo de fotografia? Participe de nossa enquete e deixe aqui sua opinião.


Enquete

O gênero sexual tem influência na qualidade da produção fotográfica?

Sim. Existem diferenças na prática que podem influenciar o resultado.
Não. Os atributos relevantes ao bom fotógrafo não dependem do sexo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Smartphones podem substituir câmeras?

dezembro 28, 2011 | por Cid Costa Neto

Foto: Thinkstock / Reprodução
A revista Veja divulgou no final da semana passada em seu site, uma matéria com o resultado de uma pesquisa conduzida pela NPD Group - empresa especializada em pesquisas de mercado - afirmando que mais de um quarto das fotos e vídeos produzidos nos Estados Unidos são feitos através de um aparelho smartphone. A pesquisa aponta ainda que as câmeras fotográficas compactas estariam sendo gradativamente substituídas pelos aparelhos de telefonia móvel.

Analisando os dois ultimo anos, constatou-se que o número de fotos capturadas através de um smartphone passou de 17% para 27%, entre 2010 e 2011. No mesmo período as vendas de câmeras fotográficas não profissionais (leia compactas) caíram 17%.

artigo da Época Negócios, sobre a mesma pesquisa, sugere que os telefones móveis estariam se aproximaram das câmeras básicas devido ao aumento na resolução em megapixels de alguns aparelhos, como o Samsung Galaxy S2 e iPhone 4S. Esse aspecto no entanto ignora a qualidade das lentes e dos sensores, que são fundamentais para a qualidade da imagem.

De acordo com a NPD, embora os recursos dos smartphones sejam ainda limitados, com objetivas ineficientes pouca potência de flash, a qualidade é considerada suficiente pela maioria dos usuários. Talvez seja aí a grande questão: A maioria das pessoas talvez não se interesse tanto pela qualidade fotográfica, privilegiando a praticidade de não ter que carregar uma câmera além do celular. 

Não existem dados sobre esse mercado no Brasil ou em outras partes do mundo, mas parece, no entanto uma tendência global.

E você, o que pensa disso? Participe da enquete abaixo e deixe sua opinião.


Enquete

Os telefones móveis podem substituir as câmeras compactas no dia a dia?

Sim. A qualidade de alguns aparelhos tem se aproximado das câmeras compactas.
Não. A qualidade das câmeras compactas ainda é muito superior e seu uso faz falta.
Talvez. Em alguns casos a definição não é tão importante.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Novas câmeras aproximam amadores de profissionais?

dezembro 21, 2011 | por Cid Costa Neto

Adriane Galisteu na propaganda da NEX-C3
No início do mês de Dezembro a Sony lançou a propaganda da NEX-C3, sua nova câmera compacta, que segundo a marca é a menor câmera com lente intercambiável do mercado. No vídeo a apresentadora Adriane Galisteu afirma que "em menos de três minutos você começa a fazer fotos com qualidade profissional". O video causou revolta por parte de alguns fotógrafos profissionais, que manifestaram-se através da internet alegando estarem sendo desprestigiados.

No ultimo domingo (18) um artigo publicado do site Valor Econômico, por Gustavo Brigatto, sugere que o surgimento dessa nova categoria de câmeras fotográficas compactas com "recursos profissionais" e lentes intercambiáveis aproximaria os fotógrafos amadores dos profissionais.

Mas afinal de contas, o que significa "qualidade profissional" ou "recursos profissionais"? É muito claro que o desenvolvimento tecnológico dos equipamentos fotográficos proporcionam a realização de fotografias com uma melhor qualidade de nitidez, equilíbrio de cores, contraste, etc. Uma boa fotografia, no entanto, vai muito além do domínio técnico do equipamento... Saber utilizar os recursos de uma câmera é apenas o primeiro degrau para uma imagem de qualidade.

E você, o que pensa disso? Participe da enquete abaixo e deixe sua opinião.


Enquete

As novas câmeras podem aproximar os fotógrafos amadores dos profissionais?

Sim. Elas oferecem recursos que melhoram muito a qualidade das imagens.
Não. Os conhecimentos técnico e teórico do fotógrafo são mais importantes.